quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Bifes & Cia. - Os estrangeiros do nosso Campeonato

Todos os anos se fala das contratações dos diferentes clubes, e este ano não fugiu à regra. Em 2007/2008 quase todos os clubes da Divisão de Honra contrataram jogadores estrangeiros, e as únicas excepções foram o Direito (que apenas manteve o já naturalizado Eduardo Acosta) e a Académica (creio que por dificuldades de tesouraria).

Penso que a maioria dos "Bifes & Cia" a jogar em Portugal justificaram a contratação. Quero dizer, acrescentaram valor às respectivas equipas, e deram um pouco mais de qualidade à principal competição nacional de clubes.

Sem me querer meter numa análise individual e caso a caso, para a qual não tenho aliás competência técnica, arrisco-me a dizer que os melhores jogadores novos a alinhar em Portugal foram, esta temporada, o William Hafu (Belenenses), o Tivani Fomai (Benfica), o Toutai Telefoni (Cascais), o Gareth Palamo (CDUL) e Peter Leulooso (CDUL). Curiosamente, todos jogadores neozelandeses e de origem "maori".

Depois há um outro grupo de jogadores que dão menos nas vistas, mas que foram imprescíndiveis ao esforço da respectivas equipas. Falo do Facundo Borelli (do Belém), o qual é talonador "internacional A" pela Argentina, do Bruno Yoffret (Belenenses), Ross Wright (CDUL), do Rukuwai Waata (Cascais), James Rosenberg (Benfica) e Danny Logan (Benfica). Talvez acrescente o François Veermak (Benfica), apesar de me parecer um 3ª linha pouco dinâmico, e que joga mais com o peso e força. E o 1ª linha Hamish Haika, do Cascais, que muito jeito deve ter dado à equipa da Guia.

No que diz respeito a desilusões, há as que vi, e as que nem sequer tive a oportunidade de ver, por terem tido passagens meteóricas pelo nosso Rugby. O Oliver Fahey, do Belenenses (que veio referenciado como um jogador de nível NPC, mas que não se conseguiu adaptar ao nosso país, e acabou por sair a seu pedido); o 2ª linha sub-20 do Cascais Simon Atkins (muito faltoso); o centro sub-20 do CDUL Jojo Ranger (que veio para os seniores, chegando a jogar os 1/4 de final da Taça de Portugal com o Belenenses), mas que rapidamente foi parar aos sub-20, por não ter ainda o nível físico desejável para a sua posição, no contexto da Divisão de Honra (para que está a fazer um excelente campeonato nos sub-20, apesar de se ir embora em menos de uma semana); o centro escocês Paul Badham e o abertura (era abertura, não era?) luso-australiano Trajce Mladenovski que o Benfica foi buscar (onde estão?)...

Outros estrangeiros fizeram a sua primeira época em Portugal, mas como não os vi... não me vou referir a eles. Outros jogadores estiveram nas nossas equipas (em algumas) no início da época, mas acabaram por sair sem ter mostrado nada, e por isso também não me vou referir a esses casos.

No que diz aos "bifes" já com raízes, destaque para os de Agronomia e para o luso-argentino Acosta (que foi um dos melhores do Direito, apesar de algumas lesões).

O que seria interessante, agora, era manter alguns dos jogadores mais espectaculares e talentosos deste grupo, de forma a rentabilizar no futuro este ano de necessária adaptação.

Terão os nossos clubes capacidade para isso, e os jogadores interesse em permanecer na nossa caótica Divisão de Honra?

terça-feira, 29 de Abril de 2008

Finais do fim de semana

DIVISÃO DE HONRA - FINAL FOUR

Final: Belenenses x Agronomia
Estádio Nacional
03/05/2008 - 17:00h
(jogo com transmissão na Sporttv)

3º/4º lugar: CDUL x Benfica
Estádio Nacional
03/05/2008 - 15:00h

1ª DIVISÃO - FINAL FOUR

Final: Técnico x CR Lousã
Estádio Nacional
01/05/2008 - 17:00h

Vários

#1 - Site da FPR continua na mesma

A menos de uma semana da Final do Campeonato Nacional da Divisão de Honra, o site da FPR não dá o mínimo destaque ao jogo. Aliás, não o refere de todo.

Razão tiveram os clubes que na já muito debatida conferência de imprensa se queixaram da fixação da Federação nos seus (e nossos) Lobos. É que para esta FPR o Campeonato Nacional é uma chatice (ou um aborrecimento, como dizem alguns) que se tem de fazer...

#2 - Técnico x Lousã


Na 1ª, que é a 2ª, o Técnico tenta manter-se invicto, e carimbar o passaporte para a Divisão de Honra. Diz quem já viu jogar os Engenheiros que são uma equipa de 1ª por engano na 2ª... mas a verdade é que é em campo que isso se prova, e no jogo de todas as decisões a equipa da Lousã vai "dar o litro".

Quem teremos na Honra para o ano? Técnico ou Lousã? A resposta pode parecer óbvia, mas por vezes a realidade é mais estranha do que a ficção.

Bom jogo para engenheiros e lousanenses.

#3 - All-Blacks têm site novo...

E está muito bom. Cliquem aqui, e saibam as novas dos "pretos" do Hemisfério Sul.

PS: a FPR também já mudava de site, que o problema do actual não é apenas a falta de conteúdo... é todo o modelo de funcionamento e o próprio grafismo. Não serve.

#4 - Munster varre na Heineken Cup


Os irlandeses do Munster Rugby despacharam os Saracens de Chris Jack. Estão em alta, os homens de Limerick, que se arriscam a recuperar a Taça, dois anos após a sua conquista em Cardiff.

Na final, os irlandeses terão pela frente o Toulouse, outra equipa com história na Heineken Cup, e que apresenta nas suas fileiras alguns dos mais conhecidos e talentosos jogadores da cena internacional...

Quem vai ganhar? É coisa para se ver no dia 24 de Maio.

Os Campeões Nacionais

Em semana de discussão do título nacional de Rugby, recordem-se os emblemas que já tiveram a honra de "envergar" o máximo estatuto do Rugby nacional:

2006/2007 – Agronomia
2005/2006 – Direito
2004/2005 – Direito
2003/2004 – Académica
2002/2003 – Belenenses
2001/2002 – Direito
2000/2001 – Benfica

Década de 90

1999/2000 – Direito
1998/1999 – Direito
1997/1998 – Técnico
1996/1997 – Académica
1995/1996 – Cascais
1994/1995 – Cascais
1993/1994 – Cascais
1992/1993 – Cascais
1991/1992 – Cascais
1990/1991 – Benfica

Década de 80

1989/1990 – CDUL
1988/1989 – CDUL
1987/1988 – Benfica
1986/1987 – Cascais
1985/1986 – Benfica
1984/1985 – CDUL
1983/1984 – CDUL
1982/1983 – CDUL
1981/1982 – CDUL
1980/1981 – Técnico

Década de 70

1979/1980 – CDUL
1978/1979 – Académica
1977/1978 – CDUL
1976/1977 – Académica
1975/1976 – Benfica
1974/1975 – Belenenses
1973/1974 – CDUL
1972/1973 – Belenenses
1971/1972 – CDUL
1970/1971 – CDUL

Década de 60

1969/1970 – Benfica
1968/1969 – CDUL
1967/1968 – CDUL
1966/1967 – CDUL
1965/1966 – CDUL
1964/1965 – CDUL
1963/1964 – CDUL
1962/1963 – Belenenses
1961/1962 – Benfica
1960/1961 – Benfica

Anos 50

1959/1960 – Benfica
1958/1959 – Belenenses
1955/1956 – Belenenses

Títulos por clube:

CDUL – 17 títulos nacionais
Benfica – 8 títulos nacionais
Cascais – 6 títulos nacionais
Belenenses – 6 títulos nacionais
Direito – 5 títulos nacionais
Académica – 4 títulos nacionais
Técnico – 2 títulos nacionais
Agronomia – 1 título nacional

Penso que não cometi nenhum erro ou injustiça. Todavia, se alguém detectar alguma falha ou inverdade nesta lista, faça o favor de deixar a correcção na caixa de comentários.

segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Agronomia e Belém na Final



Começou a semana em que se vai disputar o jogo mais importante da temporada, aquele em que todos os clubes gostariam de estar representados pelos seus XV’s principais.

Penso que as equipas apuradas – Agronomia e Belenenses – chegam à final com inteira justiça, apesar de em momentos diferentes terem enfrentado dificuldades que tornam o jogo ainda mais apetecível e merecido: o Belenenses na fase regular, durante a qual oscilou bastante; e a Agronomia, que suou bastante para ultrapassar o Benfica na meia-final a duas mãos.

Devo confessar que não sou adepto deste modelo de campeonato, nem deste modelo de Play-off. Escrevi bastante sobre o tema em 2005/2006, ano em que o Belenenses foi “prejudicado” pelo modelo tipo Super12 no escalão sénior, e “beneficiado” por ele no antigo escalão de juniores, quando ganhou ao CDUL (equipa quase invencível) na final.

Mas a verdade é que o modelo fez escola, e hoje tem mais defensores do que opositores. Os clubes assumiram a sua concretização, e os treinadores passaram (ou não, mas isso é uma questão de competência e conhecimento de metodologias de treino) a planear a temporada de forma a obter “picos de forma” nos momentos certos. O importante passou a ser a qualificação para a Final Four, secundarizando-se a questão da fase regular.

Reafirmando, uma vez mais, que não sou adepto de fases finais deste tipo, penso que é importante referir que o modelo português nem sequer é singular: em Inglaterra, por exemplo, a final do mais importante campeonato nacional de clubes da Europa é realizada em Twickenham, que é a casa do Rugby inglês e campo neutro, independentemente das equipas para ela apuradas.

Penso portanto que não vale a pena enfrentar a pressão dos dias que faltam até à final com lamentos sobre a injustiça do modelo. O modelo é o aprovado (foi aliás o que me disseram em 2005/2006, quando lamentava inconsolável a derrota do Belém ante um Direito servido de fabulosa 3ª linha, em 2006). Todos têm dele consciência desde o primeiro dia da prova (pelo menos no que se refere à questão da Final Four). Isto independentemente da posição singular de cada clube sobre a matéria.

Belém e Agronomia estão na Final. E esse facto, por si só, deveria ser muito mais um motivo de orgulho (para os respectivos jogadores, treinadores, dirigentes, associados ou simples adeptos) do que motivo para guerrilhas patetas. Ninguém deve querer meter pressão no adversário, pois na verdade não há pressão maior do que estar a 80 minutos da “glória”, e poder perdê-la ou ganhá-la em tão curto espaço de tempo... isto depois de meses e meses de treinos à chuva e ao frio, em condições longe do ideal, privando-se de família, namoradas, descanso e outros hobbies, prejudicando os estudos e o trabalho.

Aos 44 jogadores que estarão presentes na final, e a todos os outros que fazendo parte dos respectivos grupos de trabalho estarão de fora, os meus parabéns.

Tenho para mim que as equipas são isso mesmo: equipas. E uma equipa é sempre e em qualquer circunstância muito mais do que a soma das partes.

Escrevo esta pequena “verdade de La Palisse” pois também começa a cheirar mal essa mania de atribuir os méritos das equipas do nosso campeonato aos seus 2 ou 3 jogadores com maior visibilidade.

Não é de todo verdade que a equipa de Agronomia seja “apenas os pontapés do Gardner”, ou o poder físico da sua 3ª linha. Nada disso. Agronomia tem sempre 22 jogadores capazes de discutir resultados nos campos do nosso país, e pelos vistos da Península Ibérica.

Também não é de todo verdade – e aqui falo com o conhecimento de quem viu 90% dos jogos da equipa azul esta temporada, entre treinos, Taça e Campeonato – que o Belenenses se resuma ao João Uva e ao William Hafu. O Belém conta com muitos jogadores de grande valor, grande parte dos quais muito jovens, que conduziram a Nau a este bom porto... a este justo prémio para uma temporada bastante desgastante.

Seria por isso melhor, e mais proveitoso, que as pessoas retirassem os óculos do preconceito, e que observassem as equipas de uma forma mais honesta. Penso que se iriam aperceber de que o António Duarte não chegou aos Lobos por acaso. Que o Sebastião da Cunha está mesmo a fazer-se um bom 2ª linha. Que o Vasco Gaspar tem feito uma época notável. Que o Diogo Miranda caminha a passos largos para se tornar um dos melhores 15 do nosso campeonato. Que a 1ª linha de Agronomia tem bons portugueses (sim portugueses!!!), ainda muito jovens. E que a 3ª linha do Belém conta com uns quantos jogadores de quem pouco se fala, mas que fizeram mossa esta temporada (o Salvador, o Miguel Fernandes, o Francisco Nogueira...).

Isto para dar apenas alguns exemplos.

Às duas equipas bons treinos e boa preparação do jogo. E que ganhe o Belenenses, que é a minha equipa do coração, de sempre e para sempre.

sábado, 26 de Abril de 2008

Belém na final / Benfica e Agronomia jogam hoje

O Belém confirmou a presença na final da Divisão de Honra, ao bater o CDUL por 12-17 no Estádio Universitário (51-24 e 6-0 em ensaios, no conjunto das duas mãos). Trata-se de um apuramento inesperado para muitos, que viram no Belenenses uma equipa sem rumo nas primeiras quatro jornadas do campeonato.

Pessoalmente sempre acreditei neste apuramento, e até acho que quem analisar friamente a 1ª fase do XV do Restelo verificará que este resultado não é fruto do acaso, ou da sorte (Aliás, 2-0 no conjunto das duas mãos dificilmente seria fruto da sorte).

O Belém foi 3º, a 4 pontos do 2º, e ainda tem um jogo em atraso (ou seja, SE algum dia o calendário ficar acertado, o Belém pode subir ao 2º da fase regular). Foi a equipa que mais pontos e ensaios marcou na fase regular. Foi a 2ª equipa que menos pontos sofreu, apenas atrás da Agronomia. Foi a equipa que mais subiu da 1ª para a 2ª volta. Foi a única equipa capaz de bater uma Agronomia completa, e na Tapada.

É certo que o Belém oscilou bastante. Fez alguns jogos bastante fracos, como a polémica recepção ao Direito, apesar de nesse jogo ter alinhado sem uma das suas unidades mais influentes: o capitão e (actual) n.º8 João Uva.

Mas a verdade é que ninguém dava nada por este Belém em Dezembro (eliminados pelo CDUL na Taça de Portugal, cinco ou seis derrotadas consecutivas, contando jogos de treino), e hoje os azuis partem para a final com 50% de hipóteses de arrecadar um título que em 2005/2006 lhes espacou por pouco.

Uma palavra para o CDUL, que tem uma grande equipa: o CDUL é - tal como o Belém - a prova viva de que vale a pena ter escolas a sério, escolas que formam bons jogadores. Dois anos seguidos na Final Four é bastante bom para um clube que andou vários anos a atravessar o deserto, e que a verdade é que hoje toda a gente sabe que mais ano menos ano o CDUL será campeão.

A 2ª mão da meia-final entre Benfica e Agronomia disputa-se esta tarde na Tapada da Ajuda. Trata-se de um jogo que pode vir a ser mais emocionante do que se espera... Tudo depende da forma como o Benfica aguentar os primeiros 40 minutos. É que os homens da Tapada estão cheios de pressão em cima. E essa pressão, que vem de todos os lados, pode funcionar contra os próprios... Isto apesar de pensar que serão, com alguma naturalidade, os favoritos neste jogo de tudo ou nada.

quinta-feira, 24 de Abril de 2008

A Divisão de Honra 2008/2009

As recentes notícias sobre as tensões no seio da ACR espanhola colocam novamente o tema "Liga Ibérica" na ordem do dia. A possibilidade desta prova morrer antes mesmo da nascença ganha força, e pessoalmente tenho pena, pois acredito que poderia ser um torneio interessante, dependendo obviamente de uma série de pressupostos, que não abordarei neste curto texto.

O que queria deixar a todos era todavia um convite para que colocassem na caixa de comentários a vossa opinião acerca da actual Divisão de Honra (do ponto de vista organizativo, regulamentar e desportivo), já que os problemas no processo da Liga Ibérica vão certamente recentrar as atenções competitivas na prova máxima nacional, e penso que é tempo das pessoas dizerem o que querem do seu campeonato.

Alguns tópicos:

- Regulamento de estrangeiros: que alterações?
- Inscrição de jogadores nacionais: que alterações?
- Que modelo de campeonato? Com ou sem playo-off? E no caso de haver play-off, com que formato? Como apurar a equipa que desce? E a que sobe da 1ª divisão?
- Como valorizar a fase regular?
- Arbitragem: que alterações? O que deve fazer a FPR para dar melhores condições físicas, técnicas e materiais aos árbitros?
- Regulamento da Divisão de Honra: que alterações?
- Regulamento Geral de Competições: que alterações?

... os temas são múltiplos.

Bom debate.

Todos querem o Daniel...



A debandada de jogadores do sul em direcção ao norte, que aconteceu após a RWC 2007, parece não ter ainda terminado, e agora é o nome do famosíssimo médio-de-abertura Daniel Carter quem faz correr muita tinta na imprensa especializada (mas não só).

Os clubes interessados são os seguintes:

- Toulouse (Top14 e Heineken Cup)
- Toulon (Pro2, mas em vias de subir ao Top14)
- Ospreys (Celtic League, EDF Cup e Heineken Cup)
- Cardiff Blues (Celtic League, EDF Cup e Heineken Cup)
- Saracens (Guiness P., EDF Cup e Heineken Cup)

A maior capacidade financeira dos clubes do hemisfério norte poderá falar mais alto, e depois da saída de valores como Chris Jack, Carl Hayman, Rico Gear ou Luke McAlister (para referir apenas alguns), poderá ser apenas uma questão de tempo até ao dia em que mais dois ou três jogadores chave dos actuais All-Blacks (Carter e McCaw serão os casos mais mediáticos) saiam também das suas equipas provinciais, em direcção a França ou Reino-Unido.

quarta-feira, 23 de Abril de 2008

No regresso da cidade invicta...

Regressado da cidade do Porto, onde estive em trabalho nos últimos dias, não posso deixar de referir que muito pensei na fraquíssima implantação do Rugby naquela importante região do País. Apenas do CDUP tem verdadeira expressão enquanto clube de (ou com) Rugby, na vasta cintura urbana do grande Porto. É uma pena...

Cá por baixo, as quatro equipas apuradas para a Final Four preparam a segunda mão das meias-finais, e penso que apesar de tudo tem existido relativa calma e fair-play. Como é óbvio existem sempre "bocas" e picardias desnecessárias, mas no campo tem havido respeito, ou seja, entrega total dos jogadores e postura limpa.

Não pertenço ao grupo daqueles que antes da 1ª mão já anunciavam a vitória da equipa A ou B, e não é agora que o vou fazer. Até porque acho que ambas as eliminatórias estão em aberto. Todas as quatro equipas têm possibilidades de chegar à Final.

No jogo Agronomia-Benfica a diferença de 3 pontos (e a igualdade no que se refere a número de ensaios marcados) deixa tudo empatado. Ninguém leva significativa vantagem, e os campeões nacionais terão de jogar bem melhor para levar de vencida uma equipa encarnada que mesmo sem Grenho - para mim o melhor 10 do nosso campeonato - mostrou que ficar nos quatro primeiros não chega...

No CDUL-Belenenses, e apesar da diferença pontual (e em número de ensaios) ser maior, não creio que esteja já encontrado o finalista, e o Belém terá de encarar o jogo como se de uma final se tratasse. Isto se quiser passar. É que o CDUL - ferido no seu orgulho - vai entrar a 200%. Não lhes interessa vencer por 5, nem 10, nem 15. Apenas 23 pontos de diferença lhes servem. E "das-duas-uma": ou o XV do Restelo entra para ganhar, e tem francas hipóteses de ganhar a eliminatória, ou entra para gerir o resultado, e ao intervalo pode ter um resultado completamente desfavorável.

Este blog, como sabem, não é do Belém. Mas é escrito por um Belenense. E por isso, quebrando uma certa postura não clubista que aqui procurar manter, não posso deixar de enviar um grande abraço aos jogadores do Belenenses.

Esta sexta-feira não poderei estar no EUL, mas acompanharei o jogo quase minuto-a-minuto via telemóvel. Sei que vocês darão tudo. Esta é a nossa final.

Foto: Gonçalo Tavares. Site Belenenses Rugby.

sábado, 19 de Abril de 2008

Resultados da tarde

BELENENSES 34 - CDUL 12
BENFICA 13 - AGRONOMIA 16

Boa jornada de Rugby, com dois jogos muito diferentes.

O primeiro marcado por muito vento, jogado com muita luta, embora sem grande espectacularidade. Um ensaio para cada lado, e tudo em aberto para a 2ª mão, na qual - apesar de tudo - penso que a Agronomia carimbará a presença na Final.

O segundo com muito público, muita luta, mais jogo à mão e cinco ensaios (todos do Belém). O Belenenses marcou mais 22 pontos que o CDUL, mas da mesma forma que os azuis somaram 5 ensaios sem resposta num jogo podem sofrê-los também. Nenhuma equipa pode (nem deve) cantar vitória antes do apito final da 2ª mão, até porque o adversário mais perigoso é aquele que está ferido no seu orgulho.

Estão reunidos todos os ingredientes para uma jornada fantástica no próximo fim-de-semana. O "Rugby-jogado" agradece.

sexta-feira, 18 de Abril de 2008

FINALmente... a Final Four!

Sem muito tempo para grandes textos, deixo aqui as horas e locais de realização dos jogos da Final Four, e o meu desejo para que tudo decorra dentro do espírito original da modalidade, para que os jogos sejam verdadeiramente espectaculares, cheios de ensaios, combatividade (no bom sentido) e com muito público participativo (também no bom sentido).

O Rugby precisa de uma Final-Four que mostre as qualidades da modalidade no nosso país, até tendo em conta que 3 dos 5 jogos terão transmissão em directo na Sporttv.

Amanhã:

12:30h (Sobreda): BENFICA - AGRONOMIA
17:00h (Restelo): BELENENSES - CDUL

Leituras matinais: The Rolling Maul

Aconselho vivamente, pela "pena" do polémico Stephen Jones:

Matters of the law

Martin Johnson: good man, bad news

quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Jonno na RFU



"The RFU are pleased to announce that Martin Johnson CBE has been appointed as England Team Manager with effect from July 1, 2008 until December 31, 2011"

Um grande capitão, um grande jogador e um grande campeão. Será que vai ter sucesso nas suas novas funções?

Relatório Independente diz o que corre(u) mal...

Muitos meses após a derrota de Cardiff, que aprofundou a crise do Rugby neozelandês, foi publicado um relatório independente acerca da participação dos All-Blacks na RCW 2007, bem como de outros assuntos (entre os quais a debandada de internacionais em direcção à Europa).

Este relatório contém algumas notas interessantes sobre a análise que os kiwis fazem de mais um fracasso na hora da verdade. O tipo de "atribuição causal" (uma expressão muito ao gosto dos psicólogos, peço desculpa pela deformação profissional) é aqui bem claro, e ficamos a saber o que pensam os neozelandeses acerca do que se passou nos 1/4 da prova:

"Quarter Final

- We were not required to reach a conclusion on the factors immediately relevant to the loss in Cardiff but we comment briefly on them to ensure we do not give an incomplete impression.

- Factors outside the control of the All Blacks contributed to the loss of the quarter final. The performance of the referee and touch judges had a significant adverse impact on the All Blacks. An unusual combination of injuries was also a critical contributor.

- The officials, the combination of injuries, along with the performance of the French placed huge pressure on the All Blacks leadership model. The leadership model failed to deliver what was its most important objective - decisions which give the best chance of winning the game. The team failed to ensure that the right decisions were taken at critical moments."

O artigo completo, publicado do portal Rugby Heaven NZ, pode ser lido aqui.

O relatório integral da NZRFU pode ser lido aqui.

Vários

#1 – A Conferência de Imprensa

Não estive presente na Conferência de Imprensa ontem realizada no Estádio da Luz, mas sobre ela já li o que escreve a imprensa e vi o que passou na televisão. Como é óbvio, e ninguém poderia esperar outra coisa, as TV’s deram destaque às queixas dos clubes face à FPR, ignorando por completo a Final Four que se inicia no sábado.

É pena, mas é assim que a coisa funciona: fala-se de muita coisa, mas no final é a televisão quem decide as partes que vai colocar em evidência, e quem apenas viu as reportagens nos blocos noticiosos vai ficar a pensar que se falou apenas dos casos e da falta de investimento da Federação nas provas internas.

O Rugby também tem que aprender a gerir a sua visibilidade mediática.

#2 – Final Four e a TV

A Final Four será composta de cinco jogos, três dos quais televisionados:

Benfica x Agronomia (Sáb.19/04 - 12:30h)
CDUL x Belenenses (Sáb.26/04 – 17:00h)
Final (Sáb.03/05 – hora a anunciar)

Que os jogos sejam acompanhados por muita gente nos campos, e ainda mais gente fora deles. E que não tenham casos, nem coisas que possam envergonhar o Rugby perante aqueles que não acompanham as suas incidências quotidianas (e que por isso continuam a ter da modalidade uma imagem cada vez menos real...).

#3 – Férias para Cascais, Académica e CDUP

Com o fim da Fase Regular termina a participação de quatro equipas na Campeonato. E destas apenas o Direito disputa ainda a Taça de Portugal, prova na qual tem justas aspirações à vitória.

Termina assim a temporada desportiva para vários jogadores, em meados de Abril (mês quatro).

Ora, como o campeonato 2008/2009 recomeça apenas em Outubro/Novembro, vamos ter uma paragem de 5/6 meses para dezenas de jogadores seniores de Divisão de Honra (já para não falar naqueles que se encontram nas divisões inferiores).

Será que isto ajuda ao desenvolvimento da modalidade?

Espero que os clubes, que afirmam querer unir-se em prol do desenvolvimento do Rugby em Portugal, saibam aproveitar os meses de Maio e Junho para organizar provas particulares, Torneios de variantes (7’s e 10’s, por exemplo) ou do clássico Rugby de XV.

#4 – Torneio Nacional de Sevens

A aproximação da Final Four retirou actualidade ao anunciado Torneio Nacional de 7’s, a disputar em meados de Maio. A FPR convidou os clubes a apresentarem “candidaturas” para organizar a prova, e seria interessante que a mesma tivesse qualidade, visibilidade e bom nível organizativo.

Porque não uma organização em parceria, de dois ou mais clubes? Serão os responsáveis de dois ou três emblemas principais capazes de unir esforços – e dividir tarefas – de forma a organizar um excelente Torneio Nacional de Sevens?

Eu penso que sim, mas...

Presumo que o vencedor do Torneio (etapa única) se sagre Campeão Nacional, e que vá representar o nosso país no Torneio Europeu de Clubes (7’s) em Moscovo (creio que em Julho).

Voltaremos ao tema um dia destes.

#5 – Super14 e o Rugby na Nova Zelândia

O jogo ontem transmitido pela Sporttv, entre os Auckland Blues e os ACT Brumbies, a contar para o muito mediático Torneio Super14, foi mais uma demonstração da fragilidade actual do Rugby na Nova Zelândia. E a principal prova desta tese – que não é minha – estava nas bancadas, com mais de meio estádio por preencher.

quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Belenenses x Direito adiado

O Belenenses x Direito, previsto para este final de tarde, deverá ser disputado entre 21 e 26 de Abril. Esta decisão tem por base, segundo creio, um recurso apresentado pelo Grupo Desportivo Direito e a realização de um inquérito. Os clubes são assim convidados pela FPR "a acordar nova data, para a semana de 21 a 26 de Abril".

Este período (21 a 26 de Abril) situa-se entre as duas mãos da meia-final a disputar entre Belenenses e CDUL...

terça-feira, 15 de Abril de 2008

Lions 2009: Ryan Jone a capitão!

“Warren Gatland believes his Wales Grand Slam captain Ryan Jones is in pole position to become the next British and Irish Lions skipper.”

SCRUM.com

E eu estou de acordo!

O último capitão galês dos Lions foi o grande n.º10 Phil Bennet (Nova Zelândia, 1977), e antes dele um maravilhoso centro, de seu nome John Dawes (Nova Zelândia, 1971).

Depois destes, apenas ingleses, irlandeses e escoceses:

1981 – Bill Beaumont (Inglaterra)
1983 – Cirian Fitzgerald (Irlanda)
1986 – Colin Deans (Escócia)
1989 - Finlay Calder (Escócia)
1989 – Philip Matthews (Irlanda)
1993 – Gavin Hastings (Escócia)
1997 – Martin Johnson (Inglaterra)
2001 – Martin Johnson (Inglaterra)
2005 – Brian O’Driscoll (Irlanda) / Gareth Thomas (Gales)

É verdade que Thomas capitaneou os Lions, mas não o fez desde o primeiro dia, tendo assumido a função apenas devido à lesão grave do centro irlandês.

Até ao final do primeiro trimestre de 2009 muita coisa pode acontecer, mas se Ryan Jones chegar a essa altura em boa foram física, então penso que poderá ser ele o homem para liderar os Lions numa muitíssimo complicada digressão à casa dos campeões do mundo: os Springboks.

RYAN JONES

Terceira-Linha centro de grande capacidade física e técnica, lidera a equipa nacional galesa há já algum tempo, apesar de ter estado ausente do Mundial, por motivo de lesão. Esteve na vitória do Six Nations em 2005 e agora, em 2008. Participou na digressão dos Lions à Nova Zelândia (como substituto do escocês Simon Taylor) e acabou por participar em todos os jogos contra a Nova Zelândia.

Nome: Ryan Paul Jones
Data de nascimento: 13.03.1981
Local: Newport (País de Gales)
Altura: 1.96m
Peso: 114kg

Começou a jogar Rugby aos 17 anos.

Clubes:
2003/2004 – Celtic Warriors
2003/... – Ospreys

Internacionalizações:
País de Gales – 21
British and Irish Lions – 3

Final Four: Conferência de imprensa

Realiza-se amanhã, pelas 11:00 horas, uma Conferência de Imprensa de lançamento da Final Four 2007/2008. Esta iniciativa, que partiu dos clubes envolvidos, terá lugar no Estádio da Luz (Sala das Modalidades), e contará com a presença de representantes de todos os emblemas presentes na Fase Final: Agronomia, CDUL, Belenenses e Benfica.

Lá fora também se joga (a sério!)...



Absorvidos pelas questões e questiúnculas internas, não temos dado aqui - no Drop Goal - o devido destaque à cena internacional. E a verdade é que lá fora as coisas não param, e os jogos não são repetidos. É sempre a olhar para a frente e nunca para trás, que isso de olhar para trás é para logo a seguir dar com os cor#$% num poste!

Os Ospreys varreram na EDF, e foram a Twickenham provar que a vitória galesa no Six Nations não foi um erro de percurso. Na final bateram os Tigers (Leicester) por 23-6, e vingaram a derrota de 2007 (41-35 frente ao mesmo clube).

No Super14 também parece que só dá Crusaders, apesar dos Sharks estarem também na luta pelo 1º lugar da tabela. Por cá, vamos tendo uma transmissão semanal do Torneio, e esta 4ª podemos assistir ao Blues x Brumbies, um jogo que acabou com vitória para os australianos por 11-16 (desculpem lá quebrar o suspense...).

Na Guiness Premiership quem manda é a equipa de Gloucester, logo seguida dos Quins e do Bath. Os colossos Wasps e Tigers andam pela metade da tabela, enquanto que a equipa que contratou o gigante Hayman e que segurou o pé-seguro Wilkinson está na luta pela manutenção (ou talvez não, já que a equipa de Leeds tem destino traçado, por troca com os Saints).

No Top14 Clermont e Toulouse vão bem à frente, e parecem de facto ser as equipas do momento. O Auch, equipa que em 2008/2009 recebe Penalva e Spachuk, vai mesmo descer à Pro2.

Para terminar, a prova das provas de clubes no mundo do Rugby: a Heineken Cup. Aproxima-se a data das semi-finais, e os jogos London Irish x Toulouse e Saracens x Munster prometem Rugby de altíssima qualidade. Tenho para mim que a equipa irlandesa do Munster Branch pode fazer uma grande jogo e assegurar a final. São os meus favoritos.

Os regulamentos

O debate sobre alterações aos regulamentos é inevitável em Portugal, e seria bom que a comunidade do Rugby estivesse bastante envolvida no debate sobre os aspectos mais importantes a rever, a manter ou a “criar”.

Defendo a criação de uma comissão de revisão de regulamentos, que integre naturalmente pessoas académica e profissionalmente qualificadas para a discussão destas questões, mas também os clubes.

Este processo apenas terá sucesso e será responsabilizador dos clubes caso estes tenham nele uma palavra importante a dizer. Mais: de nada nos servem regulamentos tecnicamente bem construídos (na forma, na redacção, na coerência interna), se estes deixarem de fora aspectos essenciais da vida quotidiana dos clubes e das competições em que se encontrarem envolvidos (ou seja, no conteúdo operacional)...

Ninguém melhor que os clubes sabem as dificuldades com que se deparam todos os dias (por via dos regulamentos), e ninguém melhor que os clubes terá ideias/propostas para resolver essas deficiências normativas.

Não posso concordar que os clubes fiquem de fora do processo de construção de novos regulamentos, ou neste caso de regulamentos (profundamente) revistos.

Outro aspecto fundamental, que está para além da letra dos regulamentos, é o seu cumprimento. E a fiscalização deste cumprimento (ou não) das regras das competições. Mas esse aspecto fica para “segundas núpcias”.

Vou tentar debruçar-me sobre os regulamentos (nos próximos tempos), e trazer aqui alguns aspectos que do meu ponto de vista importa rever.

Até lá, os regulamentos que temos são estes... E é com estes que temos de encerrar as competições de 2007/2008.

NOTA:

Sobre o tema dos regulamentos, o site do Benfica publicou um pequeno texto com algumas ideias e posições sobre a matéria. Não posso dizer que subscrevo na totalidade, mas é bom que um clube com a importância do Benfica assuma uma posição sobre este assunto neste final de época, reclamando a revisão dos regulamentos antes do início de 2008/2009.

segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Acabou a Fase Regular, inicia-se a Final Four

A fase regular passou à história (apesar de ainda haver um jogo para disputar, sem implicações relevantes na tabela classificativa) e as equipas apuradas já se encontram totalmente absorvidas na preparação da Final Four.

Registem-se para os números finais destas 14 jornadas já disputadas:

1. Agronomia - 55 pts.
2. CDUL - 49 pts.
3. Belenenses - 45 pts.
4. Benfica - 42 pts.
5. Direito - 34 pts.
6. CDUP - 20 pts.
7. Cascais - 12 pts.
8. Académica - 6 pts.

Agronomia vence com justiça esta 1ª fase do Campeonato, logo seguida do CDUL, equipa que também se apresentou em excelente plano ao longo da maior parte das 14 jornadas da prova (apenas o primeiro jogo com o Benfica, que tive oportunidade de ver, foi claramente mau). O Belém regressa à Final Four, e tem o mérito de ser a equipa com mais pontos marcados (e ensaios, se não estou em erro) e uma das equipas com menos pontos sofridos (apenas a Agronomia sofreu menos pontos na fase regular). E por fim, neste grupo da frente, o Benfica, que amealhou muitos pontos logo nos primeiros jogos, e que geriu muito bem a sua posição na tabela nesta fase final do campeonato.

Na segunda metade da tabela, o Direito mostrou ser uma equipa de topo e ao nível das quatro de cima, mas atravessou uma fase atípica, marcada por várias saídas, lesões e pelo bem conhecido castigo daquele que será - actualmente - o melhor jogador da equipa. Fica de fora da Final Four, mas será um dos principais candidatos em 2008/2009. Vontade não lhes deve faltar...

Segue-se o CDUP (outra equipa em reconstrução), o Cascais (que começou a época "sem equipa", fruto da cisão verificada, mas que foi um adversário perigoso em alguns jogos da 2ª volta) e, por fim, a Académia, que regressa à 1ª Divisão, depois de um ano na principal prova do Rugby nacional. Note-se ainda assim que o Cascais sofreu mais pontos e marcou menos pontos do que a Académica (o que naturalmente serve apenas como dado estatístico para análise de quem se interessar pela matéria, e nada mais).

* * *

FINAL FOUR:

Agronomia: Equipa que dominou toda a fase regular, tendo apenas perdido para o Belenenses (na 1ª jornada da 2ª volta) e frente ao Benfica (num jogo em que se apresentou com várias baixas). Tem um bloco avançado poderoso (o mais pesado, forte e experiente da DH), uma linha de 3/4's com bons jogadores e o melhor 15 a jogador em Portugal na actualidade. Defende o título nacional e é, para muitos, a equipa que com naturalidade vencerá a DH 07/08.

CDUL: Para mim é a equipa com o Rugby mais bonito do momento. Muito dinâmico, muito consistente, com muita coesão. Tem o melhor 10 do nosso campeonato, um centro de grande força e capacidade, avançados de qualidade (com destaque para o pilar neozelandês, muito móvel, e para o n.º8 "G", que faz muita mossa) e uma dinâmica ganhadora renascida (depois de vários anos de travessia do deserto). A meia-final com o Belenenses será duríssima para os dois lados... quem passar parte para a final com moral reforçada.

Belenenses: Uma equipa com um coração imenso. Jogou várias partidas com aquele que terá sido o pack-avançado mais leve da sua história recente, e muito provavelmente da Divisão de Honra, mas nunca virou a cara à luta. Hoje o XV azul está mais equilibrado (fruto do reforço da 2ª linha), mais forte fisicamente e com um estilo de jogo cada vez mais próximo do pretendido pelo seu treinador, Bryce Bevin. A sua principal arma é a defesa, apesar de também ser muito concretizadora no ataque. Tem como "Calcanhar de Aquiles" a baixíssima percentagem de concretização de pontapés aos postes. Tem como ponto forte a boa qualidade individual e colectiva da equipa, e sobretudo a raça que vem metendo no jogo.

Benfica: Atravessa uma fase complicada devido a lesões, como se viu ante a Agronomia. A perda de Filipe Grenho é irreparável, mas o Benfica tem outras armas e a principal delas é a grande agressividade que a equipa mete em campo... O Rugby do Benfica tem uma postura em campo que lhe é muito própria. Conta com alguns jogadores de grande qualidade (como o neozelandês Fomai, que é de facto muito bom jogador) e com a motivação de ter conquistado uma presença na Final Four em que poucos acreditariam.

Como dizia o outro... prognósticos só no fim do jogo.

sexta-feira, 11 de Abril de 2008

DH: Jogos de 12 de Abril (14ª jornada)

A fase regular termina esta sábado, com as seguintes partidas:

Académica x CDUP (15h, EUC)
Direito x CDUL (hora a definir, Monsanto)
Benfica x Agronomia (12:30h, Sobreda)*
Belenenses x Cascais (15h, Estádio Nacional)

* Jogo com transmissão em directo na Sporttv.

Entretanto os clubes já se reuniram para discutir detalhes sobre a Final Four. Confirmam-se as meias-finais a duas mãos, com as equipas piores classificadas (3º e 4º) a receberem primeiro em sua casa as equipas melhores classificadas (1º e 2º).

1ª mão:

Jogo 1: 4º x 1º
Jogo 2: 3º x 2º

2ª mão:

Jogo 3: 1º x 4º
Jogo 4: 2º x 3º

Em caso de empate, os factores de decisão serão os seguintes:

1) Diferença entre pontos marcados e pontos sofridos;
2) Número de ensaios marcados;
3) Classificação no final da fase regular.

Apenas fiquei sem perceber se haverá jogo do 3º e 4º lugar, aquele que ninguém gosta de disputar. Enfim, penso que não faz sentido.

Espero não estar errado pois foi o que me transmitiram.

Boa sorte a todas as equipas nesta jornada final.

Lions! Lions! Lions! (as datas para a África do Sul)

Pois é, caros amigos, dando largas à minha já notada obsessão pelos Lions (que nada tem que ver com qualquer simpatia por qualquer outros clube ou equipa que tenha o Leão por símbolo... londe disso!), aqui ficam as datas anunciadas para os jogos da equipa das quatro Home-Nations na sua digressão à África do Sul, em 2009:

30/05/2009: vs. Highveld XV (Rustenburg)
03/06/2009: vs. Golden Lions (Johannesburg)
06/06/2009: vs. Cheetahs (Bloemfontein)
10/06/2009: vs. Sharks (Durban)
13/06/2009: vs. Western Province (Cape Town)
16/06/2009: vs. Coastal XV (Porth Elizabeth)
20/06/2009: vs. Springboks (Durban)
23/06/2009: Emerging Springboks (Cape Town)
27/06/2009: vs. Springboks (Pretoria)
04/07/2009: vs. Springboks (Joannesburg)

Notada pois a ausência de uma partida frente aos Blue Bulls, os campeões do Super14.

quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Nada disto faz sentido...

O Conselho de Disciplina da FPR decidiu, com base no ponto 1 do artigo 57º do RGC, mandar repetir o Belenenses x Direito, e lançou mais gasolina para uma fogueira na qual se chamusca cada vez mais.

Trata-se de uma decisão de anulação do jogo, e sobre este tema diz o RGC (artigo 19º, número 1): "os jogos adiados ou anulados serão repetidos em datas a acordar entre os clubes intervenientes, mas sempre antes das duas últimas jornadas da respectiva competição".

Preparamo-nos pois para mais uma violação dos regulamentos, determinada pela própria FPR. Nada de novo.

Curiosamente, o clube mais prejudicado em todo este processo - o Belenenses - vê-se agora na possibilidade (pouco provável mas matematicamente verificável) de não entrar na Final Four que havia assegurado após a vitória em Lousada.

É que o Direito, que não tinha já hipótese de apanhar o Belém (34 pontos contra 40, com apenas um máximo de 5 pontos em disputa), tem uma nova oportunidade para fazer 5 pontos no Belenenses x Direito (fez 4, na partida que esteve na génese de tudo isto) e igualar o Belém com 40 pontos, passando os azuis na classificação.

Neste momento, e após a anulação do jogo, a classificação é a seguinte:

1. Agronomia - 55
2. CDUL - 48
3. Belenenses - 40 (-1 jogo)
4. Benfica - 37
5. Direito - 30 (-1 jogo)
6. CDUP - 15
7. Cascais - 12
8. Académica - 6

Ora, se o Belém perder com o Cascais e o Direito vencer o CDUL com ponto bónus, as equipas passam a estar apenas separadas por 5 pontos, tantos quantos estão em disputa na partida que supostamente será repetida. E em caso de igualdade pontual, uma segunda hipotética vitória do Direito sobre o Belém acabará por retirar o clube da Cruz de Cristo da Final Four (isto, claro, se o Benfica também ganhar no sábado).

Em resumo: a equipa prejudicada pela utilização irregular de um jogador por parte do adversário, acaba por se ver privada do conforto de chegar à 14ª jornada com a Final Four garantida, e pode mesmo ser eliminada dos jogos de todas as decisões...

Mais: caso se confirme o apuramento para a Final-Four, ver-se-á obrigada a disputar 3 jogos em 7 dias.

Sáb. 12/04: Belenenses x Cascais
4ªF. 16/04: Belenenses x Direito
Sáb. 19/04: Meia-final (adversário a definir)

Cabe na cabeça de alguém?

É que claro que se pode dizer "não, não cabe, mas os regulamentos assim o determinam". O que acontece é que no passado houve decisões de penalização desportiva de equipas por utilizaçao irregular de jogadores, nomeadamente através da atribuição de derrotas por falta de comparência. Então essas decisões não devem servir de base para a resolução de conflitos posteriores?

Muito perigosa esta decisão. Abre o caminho para o completo granel no futuro, e para a certeza de que a utilizaçao irregular de atletas não ter nunca como consequência uma punição desportiva.

Decisão tomada: repetir o jogo!...

Segundo consta, a FPR tomou através do seu CD a decisão de anular a validade do jogo entre Belenenses e Direito, mandando repetir a partida.

A confirma-se esta decisão (que é no mínimo polémica e questionável) o jogo terá que se realizar entre a 14ª jornada da fase regular e a primeira meia-final da Final Four. Ou seja, Belenenses e Direito (se os advogados se apurarem) terão de disputar 3 jogos no espaço de uma semana (entre sábado e sábado).

Filme aconselhado

Pode parecer estranho aparecer um post (aparentemente) sobre cinema aqui no Blog, mas na verdade não é. O filme fala de desporto, e penso que contém ensinamentos que todas as pessoas directamente ligadas ao desporto devem absorver. Chama-se "Peacefull Warrior", e é a adaptação cinematográfica do livro "The Way of the Peacefull Warrior", de Dan Millman, que existe editado em português.



Fica a sugestão, para quem tiver tempo e interesse.

Um plano estratégico para 2008/2011

É minha opinião pessoal que o Plano Estratégico 2005/2007 da FPR ficou quase todo por cumprir. O documento, pouco discutido e pouco conhecido por parte dos agentes da modalidade, estabelecia mais metas do que estratégias, e a sua concretização não foi assumida como uma prioridade por parte da Federação e clubes.

Ora, eu penso que o Rugby precisa de estruturar a sua política de crescimento, nas mais diversas dimensões: desportiva, institucional, comercial, mediática, organizacional, etc... E para isso, necessita de colocar no papel as principais linhas estratégicas para os próximos anos.

Já referi, em texto anteriormente publicado aqui no Blog, que a revisão global dos regulamentos deveria constituir uma actividade prioritária da Federação (com a participação dos clubes) durante o Verão de 2008. Mas isto não invalida que se elabore um plano estratégico para o período 2008/2011 (ou seja, daqui ao Mundial da Nova Zelândia), que defina objectivamente não apenas "onde se quer chegar", mas sobretudo "como se quer chegar lá".

Arbitragem: como vamos aumentar o número de árbitros disponíveis para as largas dezenas de jogos que se disputam mensalmente, um pouco por todo o país? Como vamos aumentar a cobertura geográfica da "rede de árbitros", hoje inexistente? Que apoios pode dar a FPR à melhoria das suas condições técnicas e... físicas?

Formação: que modelos para os nossos campeonatos, e com que objectivos? Com que regulamentação? Qual o modelo de funcionamento das selecções nacionais? Que balanço se faz dos últimos resultados, e sobretudo, COMO inverter a nivelação por baixo que se verifica (Portugal estará ao nível de países como a Alemanha e Bélgica, por exemplo).

Seniores: Que modelos de campeonato (que devem estabilizar em definitivo, e não esta coisa de se alterar formas de descida ou de disputa da Final-Four todos os anos...)? Que estratégia para aproveitar os muitos jogadores "tapados" nos seus clubes, e que acabam por não jogar? Que estratégia para impedir paragens competitivas de um mês? Etc...

Selecção nacional: Que funcionamento? Que estratégia de desenvolvimento e renovação? Criação ou não da equipa Portugal A (diferente dessa coisa híbrida que é o chamado XV do Presidente)? Que papel para os estrangeiros naturalizados e qual a estratégia de integração destes jogadores em Portugal? Que critérios? Que futuro para os Sevens?

Clubes emergentes: que apoios e que critérios na sua concessão?

Rugby Feminino: Queremos ou não? Penso que sim... Então, para quando apoiar efectivamente as suas competições e as suas atletas? Chega de esquecimento...

E por aí fora, em áreas fundamentais como o Marketing, a Comunicação, a Comercial, a Institucional, etc...

Defendo que os clubes devem ser responsabilizados neste trabalho. Que devem participar activa e empenhadamente na definição do futuro da modalidade. E defendo que se avance rapidamente para a concretização deste trabalho fundamental, com datas previamente estabelecidas para a apresentação de uma proposta (este sim, tema para AG...), a ser discutida por todos, aprovada (se possível por unanimidade) e sobretudo concretizada.

O Rugby não pode ser adiado muito mais. A "geração de ouro" está a arrumar as botas, e das duas uma: ou há estratégia, ou regressamos muito rapidamente ao Rugby Social.

segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Direito ou Benfica?

A vitória com bonificação que o Belém alcançou em Lousada garantiu a presença dos azuis na Final-Four, e neste momento quem luta pelo apuramento são Benfica (que subiu novamente ao 4º lugar) e Direito (que desceu ao 5º, após derrota na Tapada da Ajuda).

É claro que um desfecho célere do "Caso Pipoca" poderia já decidir a definição das 4 equipas do Play-Off, baralhando apenas (e eventualmente) a atribuição das 2ª e 3ª posições. Não se prevê todavia que tal aconteça, e a 14ª jornada será muito emotiva, com o Direito a lutar por 5 pontos na recepção ao CDUL, e o Benfica a querer manter a posição, na recepção ao líder da fase regular, Agronomia.

A possibilidade de CDUL e Agronomia se apresentarem com equipas desfalcadas (para fazer descansar jogadores e evitar lesões nesta fase da prova) poderá muito bem ter influência no desfecho da fase regular, mas aqui refiro aquilo que já havia escrito antes da 13ª jornada: trata-se de um problema das equipas que ainda lutam pela Final-Four, já que não conseguiram em 13 jogos amealhar os pontos suficientes para disputar "calmamente" a última jornada.

Penso que é isso que acontecerá: Agronomia e CDUL a jogar com as "segundas equipas".

O Belém recebe o Cascais, e o jogo é mais importante para os azuis do que para os homens do Dramático. O Cascais garantiu a manutenção, mas o Belém ainda pode ser apanhado pelo Benfica, o que não deseja, naturalmente.

Para cumprir calendário, Académica e CDUP encontram-se em Coimbra. O CDUP já a pensar em 2008/2009, e a Académica também com destino traçado, preparando nova passagem pela 1ª Divisão.

Vai ser engraçada, a 14ª jornada.

sexta-feira, 4 de Abril de 2008

O granel continua...

"Nas duas últimas jornadas de cada série dos Campeonatos Nacionais da I e II Divisões de Seniores, os jogos serão disputados em simultâneo, em dia e hora a determinar pela FPR."

In Regulamento do Campeonato Nacional de Honra e I Divisão, artigo 6º, ponto 2.

"13ª e 14ª JORNADAS - DIVISÃO de HONRA

Conforme Regulamento, os jogos das 13ª e 14ª jornadas da Divisão de Honra serão jogados à mesma hora e no mesmo dia.

Assim, os 4 jogos da 13ª jornada serão realizados todos no dia 5 de Abril ás 15H00.
Os 4 jogos da 14ª jornada serão realizados no dia 12 de Abril às 15H00.

Solicitamos a atenção dos clubes que marcam os seus jogos em casa, para o cumprimento das indicações anteriores.

FM"

Publicado no site da FPR, no passado dia 28.03.2008

MARCAÇÃO DE JOGOS

Divisão de Honra:

05.04.2008: CDUL x Académica (14:00h)
05.04.2008: Agronomia x Direito (15:00h)
05.04.2008: CDUP x Belenenses (15:00h)
05.04.2008: Cascais x Benfica (17:00h)

1ª Divisão:

06.04.2008: Vilamoura x Técnico (15:00h)
05.04.2008: Agrária x Caldas (15:30h)
05.04.2008: UTAD x Lousã (15:30h)
06.04.2008: Évora x CRAV (15:00h)

quinta-feira, 3 de Abril de 2008

13ª jornada: do azar para uns, da sorte para outros

CDUP - Belenenses
CDUL - Académica
Cascais - Benfica
Agronomia - Direito

Se estivessemos a jogar no "totorugby" diria que nesta 13ª jornada - que será a do azar para uns e da sorte para outros - temos três jogos de tripla.

O CDUP - Belenenses será, como sempre, um jogo duríssimo para os azuis. O CDUP recuperou jogadores durante o mês de paragem, e apesar de já não ter nada a ganhar ou a perder neste campeonato, não é equipa para desistir de competir antes do final do campeonato. Os homens do norte sabem que podem ter influência decisiva no desfecho desta fase regular, e não vão abdicar disso. O Belém já conta com os regressados de Hong Kong (que devem vir com os sonos todos trocados, e ainda bastante cansados), mas o jogo da Sobreda provou que a equipa não depende assim tanto de um ou dois jogadores chave, sobretudo por ter reforçado a sua 2ª linha (entrada de Mata Pereira) e contar com um ou dois elementos de grande polivalência (o talonador Hafu em destaque como centro, contrariamente às más exibições a 10 do princípio da época). - 1 X 2.

O CDUL - Académica será, quanto a mim, o jogo que menos dúvidas oferece. É verdade que a AAC fez a vida negra aos campeões nacionais na jornada passada, mas todos sabemos que os estudantes de Coimbra enfrentam grandes dificuldades quando jogam fora de casa. O facto de estarem numa luta desesperada pela permanência pode ser um factor importante, mas o CDUL tem os argumentos necessários para vencer e assgurar em definitivo o 2º lugar da classificação (o que lhe garante vantagem teórica na 1/2 final). - 1.

Cascais - Benfica. Um jogo de verdadeira tripla. O Benfica acusa a saída de Grenho, e poderá jogar sem um dos jogadores mais influentes dos seus 3/4's, o centro Hugo Melo, que fez um jogo de sacrifício frente ao Belém, e saiu lesionado num ombro. O Cascais vem subindo, e marcou 5 ensaios ao GDD (4 na primeira parte) num jogo em que teve tudo para ganhar. A alinhar em casa, os homens do Dramático poderão assegurar matematicamente a permanência, e quererão fazê-lo, tendo em conta que na última jornada visitam o Belenenses no Restelo. O Benfica tem vantagem teórica, mas muita coisa pode - durante o jogo - fazer balançar a sorte entre os dois lados. - 1 x 2.

O Agronomia - Direito parece ser o jogo da jornada. Os campeões nacionais bateram o Direito há apenas alguns dias, mas não tiveram vida fácil. Na semana passada, com uma equipa que não estava assim tão desfalcada, também não estiveram ao seu melhor nível, e perderam o estatuto de equipa absolutamente a cima de todas as outras. São superiores (como demonstram os resultados), mas não imbatíveis, e vão ter de dar tudo para bater um Direito que quer muito estar na Final Four, mesmo sem o Pedro Leal. O jogo poderá ser condicionado por decisões eventualmente tomadas antes da partida (caso Pipoca), mas tudo aponta para um duelo de titãs entre duas grandes equipas, com resultado incerto. Favoritismo para Agronomia, mas 1 x 2.

Para todos, boa sorte e bons jogos.

quarta-feira, 2 de Abril de 2008

British & Irish Lions 2009 (Digressão à África do Sul)

Para adensar o mistério acerca da minha já aqui referida “obsessão” pelos British and Irish Lions, aqui fica esta lista de jogadores recentemente publicada no site TimesOnline, pelo prestigiado e polémico jornalista galês Stephen Jones.

Interessante analisar esta lista, comparando-a com a de Clive Woodward, de 2005.

Proposta de Stephen Jones

Pontas e defesa: Josh Lewsey (E), Chris Paterson (S), Sean Lamont (S), Paul Sackey (E), Shane Williams (W), Jamie Roberts (W).

Centros: Tom Shanklin (W), Gavin Henson (W), Mike Tindall (E), Olly Barkley (E).

Médios-de-Abertura: James Hook (W), Ronan O'Gara (I), Danny Cipriani (E).

Médios-de-formação: Mike Phillips (W), Mike Blair (S), Harry Ellis (E).

Pilares: Andrew Sheridan (E), Tim Payne (W), Matt Stephens (E), Euan Murray (S), Adam Jones (W).

Talonadores: Dylan Hartley (E), Fergus Thomson (S), Jerry Flannery (I).

2ª linha: Nathan Hines (S), Ian Gough (W), Simon Shaw (E), Alun-Wyn Jones (W), Ian Evans (W).

3ª linha: Tom Croft (E), James Haskell (E), Ryan Jones (W, captain), Jamie Heaslip (I), Jonathan Thomas (W), Tom Rees (E), Martyn Williams (W).

Inglaterra (E): 14 jogadores
País de Gales (W): 13 jogadores
Escócia (S): 6 jogadores
Irlanda (I): 3 jogadores

Total de jogadores incluídos: 36 jogadores.

Ausências de peso: a dupla de centros O’Driscoll/D’Arcy; Wilkinson; Dwayne Peel; Phil Vickery; Paul O’Connell; Lewis Moody e Jason White.

Relativamente a 2005:

- Redução do número de jogadores: 44 para 36
- Alteração da proporção entre os 4 países, mantendo-se a Inglaterra como n.º1

É uma lista possível, embora discutível.

Recomendo vivamente...

... a leitura destes dois artigos do portal Rugby Heaven NZ:

Broken, under-utilised Carter sums up NZ
Serial offenders allowed to kill our game

E já agora este também, escrito pelo formação kiwi Justin Marshall, no The Observer:

Heineken Cup proves it's grim down south

Leiam só esta passagem: "I must just say, it has been great living these past few weeks in the country that is going to win the next World Cup! The place is on a real high. The Welsh do get emotional about their rugby, but this time there is a level-headedness to go with the excitement, and the sense that it is just the start.".

Aposta arriscada e polémica, sobretudo vinda de um ex-All Black, sobre o Mundial que é o da esperança dos Kiwis, disputado nas suas pequenas ilhas...

Sobre o "Cantinho" desta semana...

Sou um leitor assíduo do "Cantinho do Presidente", no site da Agronomia, e devo confessar que o texto desta semana me parece um exemplo da seriedade com que o clube da Tapada tem pautado a sua actuação no panorama do Rugby nacional.

Nem sempre estou de acordo com o tom ou mesmo com a opinião expressa no "Cantinho", mas isso não me impede de reconhecer que o presidente da Agronomia será uma das únicas pessoas do Rugby nacional a levantar publica e desassombradamente alguns dos problemas fundamentais da modalidade, metendo não raras vezes o dedo na ferida.

A crónica desta semana é disso mesmo um exemplo. E penso que só se choca quem gostaria de estar na mesma posição, para poder fazer a mesma gestão. Se clubes 3ºs estão dependentes dos resultados da Agronomia para fazer as suas próprias contas, esse é um problema que apenas a eles diz respeito. É sinal que não conquistaram os pontos necessários nas precedentes 12 jornadas.

O campeonato está tão interessante (no topo como na cauda da classificação) que a última coisa de que necessitava era de mais um caso que não é um caso. Aliás, é um exemplo de transparência que pessoalmente gostaria de ver replicado noutros clubes.

Parece-me todavia que o mais interessante do "Cantinho" desta semana nem são as contas do actual campeão, mas antes as questões levantadas pelo Eng.º Amado da Silva sobre o "caso Pipoca" e sobre as novas inscrições de final de temporada.

Bem sei que há dois anos o Belém inscreveu o Penalva e no ano passado o Diogo Mateus, escusam de relembrar. O que sei é que importa clarificar, de uma vez por todas, as normas que permitem (ou não) a inscrição de jogadores portugueses vindos do estrangeiro (já se sabe que jogadores transferidos entre clubes portugueses depois de 31 de Dezembro não podem jogar, estupidamente) e sobretudo de estrangeiros comunitários ou equiparados.

E sobre o "caso Pipoca", independentemente da posição de cada um sobre as razões das partes, penso ser inacreditável esta coisa de se marcar uma AG da FPR para abordar o tema, no seu 2º ponto da Ordem de Trabalhos. Então a FPR não tem órgãos para decidir sobre o problema? Qual o objectivo de levar esta assunto, de natureza disciplinar, a uma AG?

A Agronomia é um clube adversário do meu, e o seu presidente defende interesses contrários ao que eu defendo. Mas não posso deixar de lhe reconhecer o mérito pelo ímpar trabalho que vem desenvolvendo (não isento de erros, na minha opinião, mas ainda assim ímpar) e sobretudo pela forma descomplexada como aborda os grandes problemas do nosso Rugby.

terça-feira, 1 de Abril de 2008

A confusão regulamentar

Aviso prévio: este texto não é sobre a situação de nenhum jogador ou clube em concreto, mas antes sobre o contexto global do nosso Rugby.

* * *

No Rugby português existe um certo informalismo que resulta do facto de exitirem relações quase familiares entre os seus principais protagonistas. Trata-se de um meio pequeno, no qual as situações que se vão colocando são resolvidas sem recurso a procedimentos formais e que comprometam as partes.

Os regulamentos existem, mas quase ninguém lhes dá a importância devida, e por isso todos os envolvidos aprendem desde cedo que a letra dos documentos aprovados é apenas uma coisa relativa, adaptável ao contexto.

Na época passada houve até que me dissesse que no Rugby é a "moral" que rege a modalidade e a relação entre os seus actores, secundarizando-se assim os regulamentos e aquilo que estabelecem... Respondi que então o melhor era acabar com os regulamentos e com orgãos federativos como o Conselho Disciplinar, substituindo-o por um qualquer "Conselho da moral e bons costumes".

Defendo o cumprimento escrupuloso dos regulamentos, e para isso é preciso que os mesmos estejam actualizados, devidamente adaptados à realidade do nosso Rugby. Penso que os regulamentos devem balizar as competições, e puxar pelos clubes no sentido destes darem passos em frente no sentido da sua modernização (através, por exemplo, do estabelecimento de condições mínimas de instalações de acolhimento a equipas, árbitros e público).

Penso que a revisão dos regulamentos deve assumir-se como uma prioridade da FPR nos próximos meses. O RGC, o Regulamento sobre estrangeiros, o RD e o Regulamento das principais divisões nacionais (Honra e 1ª Divisão) devem ser rapidamente analisados, e criteriosamente revistos, com a participação de todos os clubes. Para isso, creio que devem ser constituídos grupos de trabalho que analisem a situação actual, e que proponham formal e publicamente, a todos os clubes, um conjunto de alterações a implementar em 2008/2009 e 2009/2010.

Esta revisão, profunda, deverá ser amplamente discutida. Todos devem manifestar-se sobre as alterações a introduzir, ou sobre as normas a manter, responsabilizando-se neste processo que chamaria de "estabilização regulamentar".

É óbvio que estabilizar os regulamentos implica, por exemplo, estabilizar os modelos competitivos. Não se pode alterar a fórmula de apuramento de campeões, de despromoção e promoção todos os anos... nem sequer de 3 em 3. Não me parece todavia que essa seja a questão mais complexa.

O que se passa actualmente é um autêntico granel que em nada dignifica a modalidade, os seus clubes e dirigentes. E importa corrigir o quanto antes toda esta confusão.

Andrew Walker esteve em Hong Kong

Pode ter passado despercebido a muita gente, mas a verdade é que o ponta australiano Andrew Walker esteve mesmo, aos 34 anos de idade, no Hong Kong Sevens. Devo confessar que não sei se Walker é ou não presença assídua nas provas de 7's, em representação da Austrália, mas não deixa de ser interessante que um país onde o Rugby tem dezenas e dezenas de milhares de praticantes seleccione um veterano de 34 anos para um torneio de 7's.

Walker não é um jogador qualquer, e pode gabar-se de ter alinhado ao mais alto nível nos dois códigos do Rugby - Union e League - sendo que pela equipa australiana de Rugby de XV atingiu feitos notáveis, com destaque para a vitória sobre os British & Irish Lions, na digressão de 2001.

A sua carreira teve altos e baixos. Hoje não sei por onde anda, mas em 2007 alinhava pelos Queensland Reds, no Super14.