Prémios "Tugas":Homem do Torneio: Tomás Morais, pela liderança e exemplo que deu. Foi de facto impressionante ver o técnico a liderar a equipa, sabendo-se que enfrentava uma situação familiar complicada. No desporto os líderes assumem-se pelo exemplo, e o Tomás deu o exemplo.
Melhor jogador: para mim, Cristian Spachuk.
Melhor ensaios: Rui Cordeiro, frente aos All-Blacks. Este ensaio é o resultado de um extraordinário trabalho de equipa, e por isso penso ser o mais bonito e marcante da prova.
Momento mais emocionante: não, não foi o hino... foram os escassos décimos de segundo que a bola demorou a percorrer aqueles 40 metros no pontapé de ressalto que o Gonçalo Malheiro marcou, frente aos All-Blacks. Fabuloso.
Premio "até a mim me doeu": Placagem que o João Uva sofreu contra os All-Blacks, com o capacete a sair disparado. Não me lembro quem foi o jogador placador.
Pior momento: aquela cabeçada infantil, inexplicável, perigosa e mal intecionada que o Juan Severino Somoza deu no 2ª linha escocês. O castigo foi, quanto a mim, perfeitamente justo.
Jogador revelação: não jogou muito, mas penso que o Tiago Girão mostrou neste mundial que é um valor confirmado do nosso Rugby... Só espero que a saída para Espanha não contribua negativamente para a sua evolução como jogador.
Prémio carreira: para o grande pilar Joaquim Ferreira, que terminou em beleza a sua carreira. Ele, tal como outros, mereceu inteiramente este apuramento. Deveria ser um exemplo e uma inspiração para jogadores de todos o escalões e de todo o país. Pessoalmente é um jogador que admiro muitíssimo.
Prémios Internacionais:Homem do Mundial: Agustin Pichot, pela raça, pelo querer, pela liderança, pelo exemplo, por ter colocado a sua Argentina num patamar elevadíssimo. A ver vamos se conseguem manter-se por lá. Eu gostava bastante.
Jogador do Mundial: escolha complicada... terei de escolher o Brian Habana, por ser de facto e de longe o melhor finalizador do actual contexto internacional.
Treinador do Mundial: para mim, Marcelo Lofreda. Não é à toa que vai para aquele que é um dos maiores clubes de Inglaterra e do Mundo (Leicester Tigers).
Equipa(s) do Mundial:
1. África do Sul
2. Argentina
3. Fiji
4. Tonga
5. Portugal
Maiores desilusões:
1. Nova Zelândia
2. Irlanda
3. País de Gales
4. Austrália
5. Samoa
Melhor ensaio: o de Rui Cordeiro contra os All-Blacks, por transportar consigo o desejo de toda uma nação, e a admiração de todo o mundo. Momento sublime.
Melhor jogo: País de Gales vs. Fiji... e África do Sul vs. Tonga.
Pior jogo: Escócia vs. Nova Zelândia.
Equipa sensação: para mim, as Ilhas Fiji... a par da Argentina. Num patamar diferente, a Inglaterra, que entrou no Mundial como outsider, passou o grupo com dificuldade e chegou à final.
Revelações do Torneio (jogadores que não conhecia/conhecia mal e passei a conhecer):
Nicky Little (Fiji)
Horacio Agulla (Argetina)
Takudzwa Ngwenya (Estados Unidos)
Andy Gomarsall (Inglaterra)
Thierry Dusautoir (França)
Berrick Barnes (Austrália)
Ignacio Corleto (Argentina)
Rostos da desilusão:
Brian O’Driscoll (Irlanda)
Daniel Carter (Nova Zelândia)
James Hook (País de Gales)
Jason White (Escócia)
Paul O’Connell (Irlanda)
Caíram com dignidade:
Stirling Mortlock (Austrália)
Richard McCaw (Nova Zelândia)
Phil Vickery (Inglaterra)
Gareth Thomas (País de Gales)
Ronan O’Gara (Irlanda)
Desaparecidos sem combate:
Peter Stringer (Irlanda)
Doug Howlett (Nova Zelândia)
Prémio “Carreira”:
1. Agustin Pichot (Argentina)
2. Jason Robinson (Inglaterra)
3. Os du Randt (África do Sul)
Prémio “estética no jogo”: Finau Maka (Tonga)
Prémio mais fama que qualidade: Sebastien Chabal (França)
Prémio Fairplay: Inglaterra, por não ter embarcado numa histeria semelhante à neozelandesa, depois de ter visto um potencial ensaio seu ser não validade, na final.
Prémio “já aprendias a perder”:
- Comunicação social neozelandesa, pela forma absolutamente futeboleira como encarou a derrota frente à França.
- Raphael Ibanez, pelas declarações um pouco infelizes após a derrota com os Pumas.
Prémio “artigo mais parvo durante o Mundial”: vai para o neozelandês Spiro Zavos, que aproveitou a justa vitória sul-africana no Mundial para a transformar numa vitória do Rugby do Hemisfério Sul. Rídículo.
Prémio “frase mais acertada”: por Jim Kayes, na coluna Midweek Maul, “So it was the referee's fault the All Blacks crashed out of the World Cup. Of course, it makes sense, perfect sense. And England's Wayne Barnes is so easy to blame, especially because he won't fire back at his critics”.
Prémio “já não há pachorra”: para o recurso permanente e exagerado dos árbitros à ajuda das imagens de vídeo... em alguns casos justifica-se e ajuda. Noutros é simplesmente ridículo.
Árbitro “cool”: Tony Spreadbury (Inglaterra), pelo sorriso sempre presente e a forma descontraída como enfrenta os jogos.
Vencedores invisíveis:
- A IRB, pelos lucros fabulosos que obteve;
- Brian Ashton, que começou o Torneio da pior forma, e terminou como líder de um grupo que, por pouco, não surpreendia o mundo e fazia algo de inédito (alcançar o 2º título mundial consecutivo).
Derrotados invisíveis:
- O Rugby interno neozelandês, cuja crise foi colocada a nu com esta má prestação da equipa nacional. O Torneio Super12/Super14 só veio beneficiar a Austrália, e os kiwis compreendem-no cada vez melhor;
- Sir Clive Woodward, que com ou sem intenção acaba por sair mal na fotografia, depois de ter escrito que Ashton não seria a pessoa certa para conduzir a Inglaterra a um bom resultado (aliás, continua a afirmar que Ahston deve sair do cargo que ocupa na RFU).
O meu XV do Mundial:
1. Andrew Sheridan (Inglaterra)
2. John Smith (África do Sul)
3. Phil Vickery (Inglaterra)
4. Patricio Albacete (Argentina)
5. Vitor Matfield (África do Sul)
6. Schalk Burger (África do Sul)
7. Juan Martin Lobbe (Argentina)
8. Danie Rossouw (África do Sul)
9. Agustin Pichot (Argentina)
10. Jonny Wilkinson (Inglaterra)
11. Brian Habana (África do Sul)
12. Felipe Contempomi (Argentina)
13. François Stein (África do Sul)
14. Vicent Clerc (França)
15. Percy Montgomery (África do Sul)
No banco:
16. Rodrigo Roncero (Argentina)
17. Mário Arocena (Argentina)
18. Simon Shaw (Inglaterra)
19. Richard McCaw (Nova Zelândia)*
20. Juan Martín Hernandez (Argentina)
21. Mathew Tait (Inglaterra)
22. Jason Robinson (Inglaterra)
* nunca virou a cara à luta, e mostrou uma dignidade na derrota que me impressionou, sobretudo tendo em conta a patética reacção nacional neozelandesa à eliminação dos All-Blacks.