quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

Vasco Uva na Comercial

O capitão da selecção nacional de Rugby vai estar na Rádio Comercial este fim-de-semana (sábado à noite e domingo ao fim da manhã), para falar do seu livro "Hoje é por Portugal" e, segundo creio, escolher as músicas a passar na melhor estação da banda FM.

O programa é o "O meu Blog dava um programa de rádio"... isto apesar de Vasco Uva não ter nenhum Blog. Pelo menos que se saiba.

Sub-19 derrotados pela Roménia (47-16)

A selecção nacional de sub-19 foi esta tarde derrotada pela Roménia na 1/2 final do Europeu da FIRA. Com esta derrota, os jovens lusos dizem adeus à possibilidade de marcar presença no Mundial sub-20 de 2008 (e não no Mundial de sub-19 como erradamente havia referido antes).

O «bê-á-bá» do Rugby em site



A IRB lançou o site Rugby Ready, que contém informações básicas sobre a modalidade: das regras do jogo aos aspectos técnicos mais elementares.

Aconselha-se vivamente a visita ao site. Para os mais interessados, o endereço é o seguinte:

www.irbrugbyready.com

Os putos lá fora

Ninguém se parece lembrar, mas os sub-19 jogam hoje uma das 1/2 finais do Europeu da FIRA-AER frente à poderosa Roménia. Se vencerem, jogarão a final contra a equipa igualmente vencedora do embate entre Polónia e Rússia.

O vencedor do europeu estará presente no Mundial da IRB, tendo a hipótese de jogar contra as melhores selecções do mundo.

Por isso, daqui vai um grande abraço para a nossa selecção. Força rapazes!

Vários

#1 - Eleições na FPR

Com a assembleia electiva marcada para o final de Novembro, penso que já era tempo de se conhecerem listas e projectos. A ausência de ideias, pelo menos escritas e divulgadas, é para mim o pior indício relativamente ao desfecho do processo. É as ideias são parte fundamental na avaliação que os clubes deverão fazer das diferentes candidaturas.

Haverá apenas uma? Estará a actual direcção a pensar em recandidatar-se, ainda que com pequenas mexidas na equipa? Penso que sim. E tenho pena que assim seja.

O Rugby precisava de um abanão fora de campo.

#2 - Convocatória para a selecção

A FPR divulgou uma lista de 22 jogadores, convocados para os treinos de preparação para o jogo com a Geórgia, a disputar em Tiblissi, no dia 10 de Novembro.

De entre os convocados, destaques para as entradas de jogadores que não estiveram no Mundial e até de dois jogadores que nem pré-seleccionados estiveram:

- Adérito Esteves (Direito)
- Gustavo Duarte (Agronomia)
- Francisco Mira (Agronomia)
- Arnaud Ferreira (Cahors Rugby)

Destaque para o facto de Portugal continuar a apresentar como calcanhar de Aquiles, entre outros aspectos, a posição de médio-de-formação. José Pinto (ex-Direito e actual CRC Madrid) é o único jogador que actua de raiz nessa posição. Todas as outras possíveis alternativas (com Pedro Leal à cabeça) são adaptações.



Não sou ninguém para questionar Tomás Morais nas suas escolhas, mas perguntar não ofende, e a minha preocupação é genuína: não haverá em Portugal mais nenhum formação com qualidade suficiente para participar nestes treinos da selecção?

Convocatória completa:

Avançados:

Cristian Spachuk
Juan Murré
Gustavo Duarte
Duarte Figueiredo
João Correia
Gonçalo Uva
Juan Severino
David Penalva
Arnaud Ferreira
João Uva
Vasco Uva
Tiago Girão
Salvador Palha

Médios e Três-Quartos:

José Pinto
Duarte Cardoso Pinto
Gonçalo Malheiro
David Mateus
Diogo Gama
Gonçalo Foro
Francisco Mira
Adérito Esteves
Pedro Leal

terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Novidades sobre o desporto na televisão

O Governo definiu, em Diário de República e de acordo com o diário «A Bola», o conjunto dos eventos desportivos considerados de interesse público, e que por esse motivo devem merecer cobertura televisiva em canal de sinal aberto (RTP, TVI E SIC).

Os eventos definidos são maioritariamente relativos ao Futebol, essa verdadeira fonte de profunda estupidificação nacional, mas alargam-se naturalmente a outras modalidades.

No caso particular do Rugby, fica definido que serão transmitidas em sinal aberto as participações portuguesas em fases finais de Campeonatos do Mundo e da Europa. Ora quer isto dizer que se Portugal voltar a marcar presença na fase final do Europeu de Sevens da FIRA-AER, algum dos três canais abertos não terá outro remédio que não seja a transmissão dos encontros. A ver vamos se a legislação será cumprida...

Todavia, há na notícia de «A Bola» uma omissão preocupante: é que o Rugby fica de fora do grupo das modalidades relativamente às quais passa a ser obrigatória a transmissão de presenças em finais de competições oficiais internacionais (Andebol, Basquetebol, Hóquei em Patins e Voleibol).

Dir-se-á que o Rugby luso não tem hipóteses de chegar a finais de provas internacionais oficiais, mas o mesmo é verdade relativamente ao Basquetebol, por exemplo.

Por outro lado, provas oficiais internacionais não é o mesmo que provas oficiais europeias ou mundiais. Ou seja: a final da Taça Ibérica de Rugby enquadra-se neste conceito. E a Taça Ibérica de Rugby é oficial e é internacional.

Assim, seria bom que a FPR - que naturalmente é alheia a esta decisão do Governo - tentasse sensibilizar os políticos (que na hora certa aparecem para a fotografia nos momentos de maior sucesso dos «Lobos») para a necessidade de incluir o Rugby na lista das outras modalidades, já que essa inclusão representaria um ganho objectivo para a modalidade em termos de visibilidade, captação de possíveis patrocinadores e receitas.

Prémios FPR 2006/2007

A FPR divulgou as suas escolhas para os Prémios 2006/2007, e parece-me que não existem grandes surpresas nas nomeações.

JOGADOR DO ANO

Vasco Uva - Direito
Jacques Le Roux – Agronomia
Duarte Cardoso Pinto – Agronomia

TREINADOR DO ANO

Daniel Hourcade - Direito/Adjunto do Seleccionador
Ricardo Sequeira - Agronomia
Tomaz Morais - Seleccionador Nacional

ÁRBITRO DO ANO

Rohan Hoffmann
Arsénio Tomaz
João Mourinha

REVELAÇÃO DO ANO

Pedro Cabral - CDUL
Tiago Girão - CDUL
Francisco Mira – Agronomia

* * *

De entre estas nomeações, justas, eu optaria por distinguir:

Jacques Le Roux (Agronomia), por se tratar de facto de um jogador de superior qualidade no panorama do nosso Rugby, e um atleta que verdadeiramente faz a diferença.

Tomaz Morais (seleccionador nacional), por ter alcançado um feito histórico, por ter conduzido os «Lobos» em condições de grande pressão e sofrimento pessoal, e por ser o rosto do Rugby português perante os portugueses mais desconhecedores da modalidade.

João Mourinha, por continuar a ser (de longe) o melhor árbitro português, num ano em que se estreou no circuito de Sevens da IRB e em que participou no Campeonato do Mundo de Sub-19 (se não estou em erro), na Irlanda.

Tiago Girão (CDUL), jogador que admiro particularmente, pela disponibilidade para o jogo e pela enormíssima margem de progressão que apresenta. O Tiago Girão merecia, na minha opinião, bem mais do que o Madrid 2012... Mas essa é outra conversa.

Seja como for, parabéns a todos os nomeados. Foram, sem dúvida, os melhores em 2006/2007.

segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Porque é que vamos ao Rugby?

A pergunta foi lançada há alguns dias aqui no Blog, e até ao momento foram inseridas 50 respostas, supostamente por parte de 50 pessoas diferentes. A amostra é, claro está, pequena. Mas já é possível verificar que existe uma tendência clara das respostas.

56% dos respondentes optam por seleccionar a opção "A paixão pela modalidade", enquanto que 36% confessam que aquilo que os move principalmente é "A paixão pelo Clube". Apenas 10% declaram ter no convívio uma motivação fundamental para ir aos jogos das competições de clubes.

Surpreendente, ou talvez não, é o facto de ninguém ter seleccionado a opção "A qualidade do jogo".

O inquérito, de carácter não científico, prossegue até ao final do ano. Vamos todavia acompanhando a progressão dos resultados.

Shame on you, Lawrence!



Há coisas que não mudam de modalidade para modalidade. Uma delas é a necessidade de saber ganhar e saber perder. Outra é o respeito devido aos adversário, companheiros de equipa e... treinadores!

Este “respeito” deve ser demonstrado quotidianamente, e cultivado dentro das equipas. Ele envolve a sinceridade e frontalidade, mas simultaneamente a garantia de que o que se passa dentro da equipa fica dentro da equipa.

Ora, o carismático n.º8 inglês Lawrence Dallaglio – que é capitão da poderosa formação dos London Wasps e que foi capitão inglês até 1999, tendo sido afastado na sequência de um escândalo que não vem ao caso – parece ter-se esquecido destas normas não escritas mas por todos aceites.

As suas declarações públicas acerca de Brian Ashton são inaceitáveis. Não porque tenha escrito mentiras. Não estava lá e por isso não sei se aquilo que conta verdadeiramente aconteceu. Mas antes porque revela aspectos internos da selecção inglesa, os quais apenas à selecção dizem respeito.

Dallaglio padece de um mal pouco compatível com o estatuto de lenda do Rugby: a extrema vaidade. E por isso, após um Mundial em que foi figura de segundo plano, veio à praça pública colocar nos ombros de Ashton a responsabilidade por tudo o que de mau se passou em França.

Ashton começou por apostar em Dallaglio, mas após a derrota por 0-36 com a África do Sul, o n.º8 dos Wasps foi preterido, e nem ao banco foi no jogo contra Samoa. E as declarações públicas do 3ª linha inglês deixam escapar, de forma nítida, todo o ressentimento que essa situações gerou.

Atenção: o excerto do novo livro de publicado pelo Times Online contém aspectos que, a serem verdade, provam uma gestão questionável do plantel por parte de Ashton. Todavia, o que se critica não é a divergência de Dallaglio com o treinador, mas apenas e tão só a forma algo cobarde como após o Mundial o veio atacar.

Shame on you, Lawrence!

Nova imagem da ARS

A Associação de Rugby do Sul mantém o bom trabalho de comunicação que vem desenvolvendo, e não apenas apresentou novo logo como promete para breve um novo site.

Já agora, se vão "deitar fora" a versão antiga, bem que a podiam doar à FPR, que tem um site bastante fraco e estruralmente desorganizado.

Ensaios espectaculares (1)



Ensaio de Rory Lamont (Sale Sharks)

Jogo: Cardiff Blues (PG), 32 - Sale Sharks (ENG), 15
Prova: EDF Cup
Local: Cardiff Arms Park (Cardiff, País de Gales)
Assistência: 8742 pessoas

O êxodo do sul para o norte: que consequências?

O novo presidente da IRB, Bernard Lapasset, mostrou-se preocupado com a tendência crescente de transferência de jogadores do hemisfério sul para o hemisfério norte, alertando para as consequências negativas que esta situação pode trazer para a modalidade nos dois hemisférios.

Percebe-se bem porquê... o êxodo de jogadores do sul para o norte, em busca de contratos milionários, pode a prazo constituir uma dificuldade acrescida para as selecções de todos os países envolvidos, já que a presença de estrelas sul-africanas, australianas e kiwis nas principais provas de clubes europeias vai “tapar” jogadores nacionais jovens, na sua caminhada em direcção às primeiras equipas.

Pensemos por exemplo no famoso caso do Toulon, treinado por Tana Umaga: fará algum sentido uma equipa da Pro2 francesa (a 2ª Divisão, onde jogam por exemplo David Penalva, Cristian Spachuk e André Silva) contar com jogadores campeões do mundo, como o australiano George Gregan e o sul-africano Vitor Matfield? Que motivação competitiva terão estes jogadores, habituados aos grandes palcos, para jogar contra equipas de nível secundário?



O Toulon subirá certamente ao Top 14... mas a lógica competitiva e de desenvolvimento desportivo da equipa parece-me totalmente errada. Umaga brilhará, as estrelas Gregan / Merhtens / Oliver / Matfield / Sephaka ganharão muito dinheiro, e o clube regressará ao escalão principal. Mas... durante quanto tempo?

Nota:

O Blagnac de Spachuk e Penalva perdeu com o Agen (20-9), o Mt.Marsan de André Silva bateu o Aurilac (26-18) e, no Top14, o Montpellier de Gonçalo Uva bateu o Perpignan por 19-12.

sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Rugby francês na Eurosport e na TV5 Monde



"Eurosport 2 vai transmitir em directo e na íntegra a temporada 2007/2008 do TOP 14, a 1ª Liga Francesa de Rugby. Todas as 6ªs Feiras não perca os melhores jogos de cada jornada." - Site do Canal Eurospot

* * *

Aos domingo pelas 11:05, quem sintonizar o canal TV5 Monde poderá assistir ao programa «Jour de Rugby» (45 minutos de resumos dos jogos do Top 14).

O Rugby e os Adeptos: a questão dos campos



Todos queremos um Rugby com mais público e novos adeptos. Acontece, todavia, que este desejo não pode ser concretizado se algumas alterações de fundo não ocorrerem ao nível dos diversos agentes envolvidos nas provas nacionais de clubes.

A FPR tem as deficiências estruturais que todos conhecemos, e apenas a Federação as poderá colmatar, uma vez que não há clube nenhum que possa substituir a entidade máxima reguladora da modalidade nas suas funções...

Importa todavia não esquecer que os clubes também têm responsabilidade neste processo de abertura do Rugby à sociedade. E muitas vezes, por razões muito diversas, essa responsabilidade é esquecida ou secundarizada.

Uma das questões essenciais, no que diz respeito à captação de novos adeptos, tem a ver com a comunicação. E aqui pergunto: há algum clube da Divisão de Honra que se possa orgulhar de ter uma boa política de comunicação com o exterior? Penso que nenhum!

Alguns passos têm sido dados, mas até ao momento nada de verdadeiramente inovador tem acontecido.

Por outro lado, existe uma deficiência global relativamente às condições de acolhimento de público nos nossos campos, sendo que – com algumas excepções – os locais de realização de jogos de Rugby não estão, regra geral, vocacionados para receber as pessoas que sistemática ou ocasionalmente acompanham as equipas.

O Rugby de primeira é realizado em Portugal em diversos campos, e seria injusto considerar-se que nenhum deles tem condições para receber adeptos. Acontece todavia que em todos eles se verificam problemas de maior ou menor importância, e existem até casos em que os jogos são realizados em campos sem bancada, ou sem WC, ou sem bar de apoio (estruturas essenciais em qualquer recinto desportivo que se preze...). Ou sem tudo ao mesmo tempo!

Existem dificuldades conhecidas por todos, e alguns clubes nem sequer campo próprio têm. Mas a verdade é que o Rugby só poderá evoluir se chamar mais gente aos campos, e só se consegue fidelizar adeptos se estes tiverem condições mínimas de conforto nos locais de realização dos eventos desportivos.

Defendo que deveria ser criado um regulamento de instalações a aplicar experimentalmente durante um período de tempo a definir (3 a 5 anos), o qual passasse a definitivo e obrigatório findo esse período. Deste regulamento devem fazer parte disposições sobre instalações a usar por equipas/árbitros e estruturas básicas para o público. Mais: este regulamento deverá igualmente prever as condições de realização dos jogos, exigindo - por exemplo - a presença in loco de uma equipa de 1º socorro/ambulância e policiamento.

Emigrantes fora dos All-Blacks...



A selecção de jogadores para os All-Blacks obedece a vários critérios, sendo um deles a obrigatoriedade de alinharem em equipas nacionais kiwis. Esta regra, que a generalidade dos neozelandeses entende defender o rugby interno tanto do ponto de vista desportivo como comercial, poderá todavia começar a ser posta em causa, já que alguns dos mais valorosos jogadores da Nova Zelândia estão de malas feitas com destino à Europa.

Eis a lista de transferências confirmadas no que se refere a All-Blacks presentes no Mundial de França:

Luke McAlister (abertura/centro, 24 anos): abandona dos Auckland Blues e ruma ao Sale Sharks, de Inglaterra.

Aaron Mauger (centro, 27 anos): abandona os Crusaders e vai alinhar no Leicester Tigers, de Inglaterra.

Carl Hayman (pilar, 27 anos): abandona os Highlanders e passa a alinhar nos Newcastle Falcons, de Inglaterra.

Chris Jack (2ª linha, 29 anos): abandona os Canterbury Crusaders passa a alinhar pelos Saracens (Londres), de Inglaterra.

Anton Oliver (talonador, 32 anos): abandona a equipa dos Highlanders e passa a alinhar no Toulon, da Pro2 francesa.

Doug Howlett (ponta, 29 anos): abandona os Auckland Blues e passa a alinhar no Munster Rugby, da Irlanda.

Byron Kelleher (formação, 30 anos): abandona os Waikato Chiefs e passa a jogar com a camisola do Toulouse, do Top14 francês.

A estes devem ser naturalmente somados outros jogadores potencialmente seleccionáveis para a equipa nacional neozelandesa, que jogam na Europa, e que por esse mesmo motivam estiveram e estão impedidos de vestir o equipamento preto da Nova Zelândia.

Como é óbvio, os critério de selecção de jogadores neozelandeses para a equipa nacional apenas diz respeito à NZRFU e aos seus técnicos... Mas a verdade é que a realidade actual do Rugby obrigará os responsáveis kiwis a rever, mais cedo ou mais tarde, as regras que actualmente utilizam.

É que se por um lado os jogadores transferidos são quase todos (excepção para McAlister, Mauger e Hayman) veteranos, com os quais já ninguém conta para 2011, a verdade é que pelo meio existem competições para ganhar. E outros poderão seguir o exemplo de McAlister e Cia.

O futuro do Rugby neozelandês é incerto, e Steve Tew – o novo responsável executivo da NZRFU – enfrenta desafios colossais acerca dos quais falarei noutro post.

quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Sobre as saídas dos «Lobos» para o estrangeiro

Portugal não chocou o mundo do Rugby no Mundial de França, mas deu boa conta do recado, e provou que aqui no cantinho à beira mar plantado também se joga com bola oval.

Era por isso previsível que alguns jogadores saíssem para campeonatos estrangeiros, como o Francês (entre o Top14 e a 3ª Divisão), o Espanhol (que apesar da qualidade semelhante ao nosso tem mais dinheiro e recebeu reforçado impulso que a parceria Real Madrid / Bwin / CRC Rugby) e o Italiano.

O seleccionador nacional, Tomás Morais, referiu que a saída dos jogadores para outros contextos competitivos poderia ser positiva, e pessoalmente concordo com o esta perspectiva.

Por outro lado não se verificou a razia que muitos temiam, e apesar do campeonato ainda não ter iniciado as alterações nas equipas não foi assim tão radical como se chegou a pensar.

Alguns jogadores recusaram convites, por razões diversas. Outros aproveitaram propostas, e vão viver experiências “lá fora”. As saídas até ao momento foram:

BELENENSES:
Cristian Spachuk – Blagnac (Pro2, França)
Juan Murré – Livorno (2ª divisão, Itália)

AGRONOMIA:
Juan Severino Somoza – ???

DIREITO:
José Pinto – CRC Madrid (Divisão de Honra, Espanha)
Vasco Uva - ??? (Top14, França)*

CDUL:
Tiago Girão – CRC Madrid (Divisão de Honra, Espanha)

BENFICA:
Diogo Gama – CRC Madrid (Divisão de Honra, Espanha)


Legenda: Diogo Gama (Créditos: Site do CRC).

Na minha opinião, apenas no Belenenses se afigura verdadeira desestabilização de um sector específico da equipa, já que saíram de uma assentada as suas duas primeiras opções para a 1ª linha.

A questão que aqui deixo no ar é a seguinte: a saída de jogadores da nossa selecção para outros campeonatos é vantajosa para o Rugby Nacional?

A minha opinião divide-se em três pontos:

1. Depende dos campeonatos para onde saírem. Se a transferência de Spachuk e Vasco Uva para a Pro2 e Top14 francês me parecem opções interessantes e vantajosas para a evolução dos referidos atletas, tenho sinceras dúvidas de que em Espanha exista grande margem de progressão para um jogador de tão grande potencial como o Tiago Girão...

2. Pode ser vantajosa para a selecção (com as condicionantes acima referidas), mas será certamente prejudicial – no curto prazo – para o nosso campeonato, onde o nível de jogo é relativamente baixo. Os clubes terão de estudar, caso a caso, a possibilidade de substituir os «Lobos» ausentes com jogadores portugueses (de formação própria ou “contratados”).

3. Depende do tipo de vínculos dos jogadores aos clubes para onde se transferem. Se avançam em direcção ao profissionalismo, penso que é vantajoso.

Fica a questão em aberto e o convite para que partilhem impressões acerca deste tema importante.

* - Saída por confirmar.

Propostas de leitura

Ler sobre Rugby é um enorme prazer, e uma forma efectiva de melhor conhecer a modalidade, a sua história, dos seus ídolos, os seus problemas passados e presentes, e aqueles que se perspectivam no futuro.

Desde há 2 anos para cá tenho lido bastante sobre Rugby, e penso que alguns dos livros que comprei são verdadeiros tesouros, que aconselho a todos quantos tenham: 1. o gosto pela leitura; 2. vontade de ir mais além no conhecimento da modalidade.

Estas propostas de leitura não são algo do tipo “As escolhas do Professor...”. Longe disso. Até porque o mercado de livros de Rugby é colossal (em alguns países estrangeiros, claro), e as minhas escolhas reflectem bastante os meus gostos e/ou interesses. As propostas que aqui deixo são meras sugestões de leitura:

#1



«The Winter Game, Rediscovering the Passion of Rugby»
por Todd Nicholls

Breve revisão: Um jornalista neozelandês, que viveu toda a vida fascinado pelo Rugby e pela selecção nacional do seu país, acorda um dia e descobre que a velha paixão pelo Rugby se encontra a desaparecer lentamente.

Aproveitando a Digressão dos Lions à Nova Zelândia (em 2005) parte então numa digressão pelo Rugby neozelandês (e não só...), entrevistando verdadeiras lendas vivas do Rugby, e tentando redescobrir a paixão pela modalidade, que julgava (quase) extinta.

O livro é bastante interessante, e a escrita é descontraída. O retracto do estado actual do Rugby neozelandês é impressionante e inquietante, e seria por ventura interessante publicar-se uma nova edição do livro, com um capítulo adicional sobre o falhanço dos All-Blacks no Mundial de França... duvido todavia que o façam.

O livro pode ser encontrado facilmente no portal Amazon UK, tanto em 1ª como em 2ª mão. E a preços ridiculamente baixos.

#2



«JPR Williams: My life in Rugby»
por JPR Williams

Breve revisão: Este livro será por ventura mais interessante para os jogadores da actual geração do que para aqueles que tiveram a sorte de ver, ao vivo ou na TV, o famoso – e fabuloso n.º15 galês – actuar.

Este livro é uma autobiografia, e por isso incide bastante nas vivências de JPR Williams dentro e fora do contexto do Rugby. Todavia, JPR não se limita a narrar as incidências da sua vida, lançando igualmente uma visão crítica sobre a actual realidade do Rugby galês e internacional (tal como Phil Bennett, na sua autobiografia).

Ainda não terminei a leitura do livro, mas com 2/3 da obra já lidos penso que é um daqueles livros imprescindíveis numa verdadeira biblioteca de Rugby.

Sabiam que JPR Williams, sendo n.º15, alinhou parte de uma partida contra a Austrália – em Sidney – na posição de flanqueador do lado aberto? Pois é verdade...

#3



«My World»
por Jonny Wilkinson

Breve revisão: Jonny Wilkinson é um verdadeiro ícone do Rugby mundial, e um modelo para todos os jogadores de Rugby na sua posição. Não quero com isto dizer que todos os médios de abertura tenham de jogar como Wilkinson. Longe disso. Mas o n.º10 de Inglaterra, dos Lions e dos Falcons transporta consigo uma qualidade que deveria ser mais cultivada no Rugby: a busca incessante pela perfeição.

Em «My Life», Wilkinson percorre a caminhada de Inglaterra no Mundial de 2003, e fala da forma como viveu o período de permanência da equipa na Austrália.

Confessa, por exemplo, que nos 4 meses anteriores ao Mundial chutou pelo menos 6.000 pontapés de ressalto, confessando-se algo obsessivo relativamente ao treino do seu jogo ao pé/chutos.

Penso que todo o n.º10 deveria ler este livro... E já agora, não percam também o diário de 2001, editado com o nome «Lions and Falcons: My Diary of a Remarkable Year».

Nota: O livro «My Life» encontra-se à venda com bom preço no site Lovell Rugby. Quem optar por o comprar neste site deve aproveitar, e mandar vir a autobiografia de Martin Johnson, igualmente em “saldo”.

Fim do maul à vista?

Uma das 11 Leis de Stellenbosch que se encontram em experimentação nalgumas provas definidas pela IRB – em conjunto com as respectivas entidades organizadoras – diz respeito à “legalização” do derrube intencional do maul dinâmico.

A alteração é mais ou menos esta: um maul em progressão pode ser travado pela equipa defensora com recurso ao seu derrube intencional, sem que esta seja sujeita à marcação de uma penalidade.

Esta alteração, que muito agrada por exemplo aos australianos, comporta diversos riscos, de diferentes naturezas.

O primeiro e mais grave de todos diz respeito à segurança dos jogadores. O derrube do maul pode, em algumas circunstâncias, conduzir a situações de elevado risco para a saúde/segurança física dos jogadores envolvidos no movimento (tanto de uma como de outra equipa), e a alteração em estudo contraria uma das lógicas fundamentais das leis do jogo: aumentar a segurança e a protecção aos atletas, dentro de campo.

Depois há a questão da legitimidade do derrube intencional... é que a formação do maul por um lado, e a sua defesa por outro, são aspectos bastante interessantes do jogo, que implicam poder físico, adequada técnica e conhecimento das leis do jogo.

Um maul em progressão dificilmente poderá ser considerado jogo passivo (até porque existem regras que permitem ao árbitro evitar que esse mesmo tipo de anti-jogo). Considero todavia que existe anti-jogo quando uma equipa intencionalmente derruba uma formação deste tipo, apenas porque não consegue superiorizar-se na sua contestação. Penso aliás que é essa lógica que se encontra subjacente às actuais leis que regulamentam o maul dinâmico.

Gosto bastante do jogo típico dos avançados, e o maul dinâmico – quando bem organizado e em acelerada progressão - é um dos movimentos mais bonitos de uma equipa de Rugby, por exigir coordenação, força, técnica e espírito de sacrifício. Para as equipas defensoras trata-se também de um grande desafio, já que travar um maul de forma puramente legal é tarefa complicada.

Permitir a sua destruição pura e simples é, na minha óptica, um erro e uma ameaça à integridade física dos jogadores.

Sobre o Maul Dinâmico



O que diz a Lei?

17.2. JUNTANDO-SE A UM MAUL

(a) Um jogador juntando-se a um maul não deve ter a cabeça nem os ombros mais baixos que as ancas. (P.L.)

PENALIDADE:
Pontapé livre.

(b) Um jogador deve estar efectivamente ligado ou incorporado no maul e não deve apenas permanecer a seu lado. (P.P.)

(c) O colocar de uma mão num outro jogador do maul não constitui ligação. (P.P.)

(d) Jogadores de pé: Todos os jogadores participando no maul devem permanecer de pé. O portador da bola no maul pode ir ao solo desde que a bola esteja imediatamente disponível para que o jogo prossiga. (P.P.)

PENALIDADE:
Para infracções às Secções 2(b)-(d): pontapé de penalidade.

(e) É proibido a qualquer jogador provocar intencionalmente a derrocada de um maul. Isto é Jogo Perigoso. (P.P.)

quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

As minhas escolhas do Mundial 2007

Prémios "Tugas":

Homem do Torneio: Tomás Morais, pela liderança e exemplo que deu. Foi de facto impressionante ver o técnico a liderar a equipa, sabendo-se que enfrentava uma situação familiar complicada. No desporto os líderes assumem-se pelo exemplo, e o Tomás deu o exemplo.

Melhor jogador: para mim, Cristian Spachuk.

Melhor ensaios: Rui Cordeiro, frente aos All-Blacks. Este ensaio é o resultado de um extraordinário trabalho de equipa, e por isso penso ser o mais bonito e marcante da prova.

Momento mais emocionante: não, não foi o hino... foram os escassos décimos de segundo que a bola demorou a percorrer aqueles 40 metros no pontapé de ressalto que o Gonçalo Malheiro marcou, frente aos All-Blacks. Fabuloso.

Premio "até a mim me doeu": Placagem que o João Uva sofreu contra os All-Blacks, com o capacete a sair disparado. Não me lembro quem foi o jogador placador.

Pior momento: aquela cabeçada infantil, inexplicável, perigosa e mal intecionada que o Juan Severino Somoza deu no 2ª linha escocês. O castigo foi, quanto a mim, perfeitamente justo.

Jogador revelação: não jogou muito, mas penso que o Tiago Girão mostrou neste mundial que é um valor confirmado do nosso Rugby... Só espero que a saída para Espanha não contribua negativamente para a sua evolução como jogador.

Prémio carreira: para o grande pilar Joaquim Ferreira, que terminou em beleza a sua carreira. Ele, tal como outros, mereceu inteiramente este apuramento. Deveria ser um exemplo e uma inspiração para jogadores de todos o escalões e de todo o país. Pessoalmente é um jogador que admiro muitíssimo.

Prémios Internacionais:

Homem do Mundial: Agustin Pichot, pela raça, pelo querer, pela liderança, pelo exemplo, por ter colocado a sua Argentina num patamar elevadíssimo. A ver vamos se conseguem manter-se por lá. Eu gostava bastante.

Jogador do Mundial: escolha complicada... terei de escolher o Brian Habana, por ser de facto e de longe o melhor finalizador do actual contexto internacional.

Treinador do Mundial: para mim, Marcelo Lofreda. Não é à toa que vai para aquele que é um dos maiores clubes de Inglaterra e do Mundo (Leicester Tigers).

Equipa(s) do Mundial:

1. África do Sul
2. Argentina
3. Fiji
4. Tonga
5. Portugal

Maiores desilusões:

1. Nova Zelândia
2. Irlanda
3. País de Gales
4. Austrália
5. Samoa

Melhor ensaio: o de Rui Cordeiro contra os All-Blacks, por transportar consigo o desejo de toda uma nação, e a admiração de todo o mundo. Momento sublime.

Melhor jogo: País de Gales vs. Fiji... e África do Sul vs. Tonga.

Pior jogo: Escócia vs. Nova Zelândia.

Equipa sensação: para mim, as Ilhas Fiji... a par da Argentina. Num patamar diferente, a Inglaterra, que entrou no Mundial como outsider, passou o grupo com dificuldade e chegou à final.

Revelações do Torneio (jogadores que não conhecia/conhecia mal e passei a conhecer):

Nicky Little (Fiji)
Horacio Agulla (Argetina)
Takudzwa Ngwenya (Estados Unidos)
Andy Gomarsall (Inglaterra)
Thierry Dusautoir (França)
Berrick Barnes (Austrália)
Ignacio Corleto (Argentina)

Rostos da desilusão:

Brian O’Driscoll (Irlanda)
Daniel Carter (Nova Zelândia)
James Hook (País de Gales)
Jason White (Escócia)
Paul O’Connell (Irlanda)

Caíram com dignidade:

Stirling Mortlock (Austrália)
Richard McCaw (Nova Zelândia)
Phil Vickery (Inglaterra)
Gareth Thomas (País de Gales)
Ronan O’Gara (Irlanda)

Desaparecidos sem combate:

Peter Stringer (Irlanda)
Doug Howlett (Nova Zelândia)

Prémio “Carreira”:

1. Agustin Pichot (Argentina)
2. Jason Robinson (Inglaterra)
3. Os du Randt (África do Sul)

Prémio “estética no jogo”: Finau Maka (Tonga)

Prémio mais fama que qualidade: Sebastien Chabal (França)

Prémio Fairplay: Inglaterra, por não ter embarcado numa histeria semelhante à neozelandesa, depois de ter visto um potencial ensaio seu ser não validade, na final.

Prémio “já aprendias a perder”:

- Comunicação social neozelandesa, pela forma absolutamente futeboleira como encarou a derrota frente à França.

- Raphael Ibanez, pelas declarações um pouco infelizes após a derrota com os Pumas.

Prémio “artigo mais parvo durante o Mundial”: vai para o neozelandês Spiro Zavos, que aproveitou a justa vitória sul-africana no Mundial para a transformar numa vitória do Rugby do Hemisfério Sul. Rídículo.

Prémio “frase mais acertada”: por Jim Kayes, na coluna Midweek Maul, “So it was the referee's fault the All Blacks crashed out of the World Cup. Of course, it makes sense, perfect sense. And England's Wayne Barnes is so easy to blame, especially because he won't fire back at his critics”.

Prémio “já não há pachorra”: para o recurso permanente e exagerado dos árbitros à ajuda das imagens de vídeo... em alguns casos justifica-se e ajuda. Noutros é simplesmente ridículo.

Árbitro “cool”: Tony Spreadbury (Inglaterra), pelo sorriso sempre presente e a forma descontraída como enfrenta os jogos.

Vencedores invisíveis:

- A IRB, pelos lucros fabulosos que obteve;

- Brian Ashton, que começou o Torneio da pior forma, e terminou como líder de um grupo que, por pouco, não surpreendia o mundo e fazia algo de inédito (alcançar o 2º título mundial consecutivo).


Derrotados invisíveis:

- O Rugby interno neozelandês, cuja crise foi colocada a nu com esta má prestação da equipa nacional. O Torneio Super12/Super14 só veio beneficiar a Austrália, e os kiwis compreendem-no cada vez melhor;

- Sir Clive Woodward, que com ou sem intenção acaba por sair mal na fotografia, depois de ter escrito que Ashton não seria a pessoa certa para conduzir a Inglaterra a um bom resultado (aliás, continua a afirmar que Ahston deve sair do cargo que ocupa na RFU).

O meu XV do Mundial:

1. Andrew Sheridan (Inglaterra)
2. John Smith (África do Sul)
3. Phil Vickery (Inglaterra)
4. Patricio Albacete (Argentina)
5. Vitor Matfield (África do Sul)
6. Schalk Burger (África do Sul)
7. Juan Martin Lobbe (Argentina)
8. Danie Rossouw (África do Sul)
9. Agustin Pichot (Argentina)
10. Jonny Wilkinson (Inglaterra)
11. Brian Habana (África do Sul)
12. Felipe Contempomi (Argentina)
13. François Stein (África do Sul)
14. Vicent Clerc (França)
15. Percy Montgomery (África do Sul)

No banco:

16. Rodrigo Roncero (Argentina)
17. Mário Arocena (Argentina)
18. Simon Shaw (Inglaterra)
19. Richard McCaw (Nova Zelândia)*
20. Juan Martín Hernandez (Argentina)
21. Mathew Tait (Inglaterra)
22. Jason Robinson (Inglaterra)

* nunca virou a cara à luta, e mostrou uma dignidade na derrota que me impressionou, sobretudo tendo em conta a patética reacção nacional neozelandesa à eliminação dos All-Blacks.

Austrália: Union quer transformar-se em "Mini-League"

O Director Executiva da União Australiana de Rugby (ARU) vem-se notabilizando nas últimas semanas devido às muitas e infelizes intervenções públicas que, em nome do Rugby australiano (mas não dos seus jogadores...) vem produzindo.


Legenda: Jonh O'Neill

Desta vez, este (ir)responsável australiano veio reforçar o coro daqueles que exigem alterações às leis do jogo, mas introduzindo um dado novo: O’Neill vem dizer que o código da Rugby Union se deve aproximar cada vez mais do código da Rugby League, permitindo ao jogo tornar-se mais veloz, com mais corrida e menos placagens, e com um novo sistema de pontuação (no qual os chutos aos postes teriam, inevitavelmente, menos valor).

É óbvio que O’Neill apresenta esta sua proposta utilizando argumentos mais ou menos consensuais, como “é preciso encorajar um estilo de jogo que vise a obtenção de ensaios”. Mas a verdade é que as razões parecem ser outras.

O Rugby (versão Union) não é na Austrália a modalidade n.º1... nem n.º2 ou 3. E à sua frente, na hierarquia das preferências aussies, encontram-se duas modalidades parentes do Rugby, mas com regras e lógicas competitivas muito distintas: o Futebol Australiano (ou “Australian Rules”) e a Rugby League (ou Rugby de XIII).

O Rugby (versão Union) tem tido uma enorme dificuldade de captar atenções internamente, e não obstante os bons resultados que a Austrália tem obtido na cena internacional (é, a par da África do Sul, a única selecção com dois títulos mundiais conquistados), a verdade é que do ponto de vista comercial continua a perder bastante para as modalidades concorrentes.

Assim, uma aproximação às regras da Rugby League permitiria à ARU passar a disputar o grande mercado australiano com a Australian Rugby League. E essa e, quanto a mim, a maior preocupação de O’Neill.

Depois há uma outra questão: não obstante a qualidade dos jogadores australianos, a verdade é que o jogo tipo-League serve muito mais as suas características do que o jogo tipo-Union. Um jogo em formações ordenadas (que são o coração do código Union) disputadas seria, para os australianos, muito mais à sua medida, conhecida que é aversão dos aussies a esta componente fundamental do jogo tipo-Union.

terça-feira, 23 de Outubro de 2007

O impacto do Super14 no Rugby interno neozelandês

Uma das discussões em curso na comunicação social especializada no contexto do Rugby diz respeito aos méritos e deméritos das provas regionais de “clubes” realizadas nos dois hemisférios.

Se uns defendem que o Super14 (ex-Super12) é a prova mais competitiva e espectacular de Rugby de “clubes”, outros respondem que em rigor o Super14 não é disputado por clubes (mas antes por selecções interprovinciais*), e que a preocupação da SANZAR e das “marcas” envolvidas na prova é meramente de proporcionar entretenimento aos milhões de espectadores e telespectadores que acompanham em permanência a competição.

Ninguém coloca em causa a qualidade dos jogadores envolvidos no Super14. Apenas uma enorme cegueira poderia levar alguém a considerar que não têm qualidade jogadores que alinham em algumas das mais fortes selecções do mundo, sendo alguns deles detentores de títulos mundiais.

Mas coisa diferente é considerar-se que o Rugby praticado pelas selecções interprovinciais tem a qualidade apregoada... Não tem. E são os próprios responsáveis neozelandeses – por exemplo – a admiti-lo, ainda que timidamente. O escritor e jornalista Ron Palenski, actual “chairman” da Otago Rugby Football Union (uma das Uniões que contribui activamente para a equipa dos Highlanders), afirma-o em entrevista a Todd Nicholls (autor do livro “The Winter Game, Rediscovering The Passion Of Rugby”).

Na verdade, a participação neozelandesa no Super14 vem esvaziando de interesse o NPC e até o Heartland Championship, o que – de acordo com as diversas Uniões provinciais – tem tido impacto na qualidade do Rugby neozelandês, com reflexo directo na equipa dos All-Blacks.


Legenda: Heartland Championship. Foto: Rugby Heaven (NZ)

E se é verdade que nos últimos 4 anos os All-Blacks dominaram a cena mundial (com a conquista de vários Tri-Nations, das Series frente aos Lions em 2005 e até com um Grand Slam também em 2005, na Grã-Bretanha e Irlanda), também importa ter em conta a precoce eliminação no Mundial, e as fragilidades evidenciais em algumas posições específicas no terreno de jogo.

Deixou de ser verdade aquela máxima segundo a qual “qualquer jogador All-Black tem lugar garantido no XV de qualquer outra selecção do mundo”. E o par de centros é o caso mais evidente. A saída de Tana Umaga veio colocar a nu esta fragilidade actual neozelandesa. Luke MacCalister ainda não tem a qualidade de um centro de nível mundial, e as outras soluções são adaptadas ou menos fortes.

Muitas pessoas apontam o dedo à secundarização das provas nacionais de Rugby na Nova Zelândia e à concentração de atenções nas competições SANZAR. O Rugby de Clubes (que se encontra abaixo das provas provinciais do NPC e Heartland) está a viver momentos difíceis, e não obstante toda a qualidade da escola neozelandesa, os factos parecem sugerir à NZRFU uma profunda reflexão acerca das suas prioridades...

É verdade que os lucros fabulosos obtidos por algumas das equipas do Super14 (com os Crusaders à cabeça) são distribuídos pelos clubes e pelas províncias. Mas até este aspecto é controverso, já que se as provinciais que formam este franchising recebem quantias avultadas, outras acabam por não ver dinheiro significativo, já que não têm o mesmo grau de sucesso na prova, chegando raramente à fase final...

A NZRFU tem muito em que pensar. Ainda para mais nesta época conturbada, marcada por mais um enorme falhanço dos All-Blacks, e pela saída em massa para a Europa de alguns dos seus principais valores.

(continua)

* A título de exemplo, analisemos o caso dos Canterbury Crusaders, a mais premiada equipa do Super12/Super14. Os Crusaders são compostos por jogadores seleccionados a partir das equipas provinciais (envolvidas no campeonato NPC) das seguintes Uniões de Rugby: Canterbury, Mid-Canterbury, South Canterbury, Buller, Tasman e West Coast.

As escolhas de Stephen Jones



O jornalista galês Stephen Jones publicou, na sua coluna do Times Online, as suas escolhas relativamente ao Mundial que terminou no passado fim-de-semana.

Para quem ainda não leu nem as conhece, aqui fica o apanhado daquelas que julgo serem as mais importantes:

Homem do Torneio – Agustin Pichot

Jogador do Torneio – Juan Martín Hernandez

Treinador do Torneio – Quddus Fielea (Tonga) e Jake White (África do Sul)

Icon do Torneio – Jonny Wilkinson

Melhor jogada - o ensaio de Takudzwa Ngwenya (Estados Unidos), contra a África do Sul.



Atitude com classe – a espera da equipa sul-africana, após o apito final do jogo dos quartos de final, frente às Ilhas Fiji. Os homens do Pacífico deram uma demorada volta de honra ao campo, e quando se preparavam para recolher aos balneários depararam-se com um túnel sul-africano. Os Springboks haviam permanecido no relvado para, também eles, saudarem a brilhante prestação das Fiji no Mundial.

Figura “maligna” – Graham Henry

Melhor corrida – Jean Baptiste Elissalde, quando após o 80 minutos de jogo correu em direcção à sua área de ensaio, e chutou a bola para a bancada, terminando assim o encontro.

Melhor jogo – País de Gales vs. Fiji

Melhor árbitro – Wayne Barnes, pela coragem com que enfrentou a pressão neozelandesa.

Melhor estádio – Parque dos Príncipes, em Paris.

Estádio mais moderno – Beaujoire, em Nantes.

Coragem sob pressão – Ronan O’Gara, por ter aguentado com firmeza e ter mantido a cabeça levantada quando a imprensa levantava suspeitas acerca da sua vida privada.

Prémio defesa da carreira: Simon Shaw, por ter sido preterido tantas vezes, e ter regressado em grande.

“Diz-me que não é verdade”: o neozelandês Paul Honiss ser, neste momento, o árbitro no activo com mais jogos internacionais realizados.

Prémio “precipitação”: renovação do contrato de Eddie O’Sullivan (Irlanda), por 4 anos, antes do Mundial.

Jogadores que “não jogaram”:

1. Brian O’Driscol
2. Gordon d’Arcy
3. Butch James

Jogadores cruelmente ignorados:

1. Aaron Mauger
2. Danny Hipkiss
3. Yannick Nyanga

De férias: pilar irlandês, centro neozelandês, pilar australiano, saltador de Samoa, três-quartos georgiano.

Vencedores invisiveis: O sistema de rugby de clubes inglês e francês; Mike Burton; o gajo responsável pela redução de custos no catering.

Derrotados invisíveis: O rugby doméstico na Irlanda, Escócia e Gales; o Torneio Super14; o gajo que já tinha um enorme volume preparado para editar após a vitória dos All-Blacks no mundial...

segunda-feira, 22 de Outubro de 2007

Lions! Lions! Lions!



As quatro Home Nations já contam dias para a digressão dos Lions à África do Sul, evento que ganhou novo interessante depois dos Springboks se terem sagrado campeões do mundo, precisamente frente à Inglaterra.

A digressão acontecerá em 2009, dois anos após o Mundial de 2007 e dois anos antes da nova edição, em 2011. E a verdade é que entre Campeonatos do Mundo, as digressões dos Lions são o ponto mais alto do calendário internacional da modalidade.

A história das digressões dos Lions a solo sul-africano é equilibrada, com vitórias para os dois lados, e até um empate.

1891 – Lions
1896 – Lions
1910 – Springboks
1924 – Springboks
1938 – Springboks
1955 – Empate
1962 – Springboks
1968 – Springboks
1974 – Lions
1980 – Springboks
1997 – Lions

A curiosidade de 2009 é verificar se os Lions conseguem repetir a façanha de 1997, derrotando uma vez mais os campeões em título (recorde-se que 1997 a África do Sul era campeã em título, depois de ter vencido o Mundial de 1995).

Acredito que os Lions podem sair vitoriosos dos três Test-Matches programados, mas para isso a selecção de jogadores terá que ser feita com extremo rigor e frieza, evitando os erros de 2005, como a convocação de jogadores lesionados ou em nítida crise de forma.

A vitória dos Lions em 2009 poderá ser histórica por motivos diversos, e pessoalmente muito gostava de os acompanhar.

Faltam dois anos. A ver vamos como corre a vida. Dentro e fora do Rugby.

sábado, 20 de Outubro de 2007

O debate vai começar...

"The Sanzar nations are not being self-serving in agitating for change. I genuinely believe their motivation is the wider good of rugby and I just hope this whole thing doesn't go off the rails just because there are some who seem to struggle with the concept of change."

Grant Fox, "Not worth watching? Not worth playing"
21.10.2007 - Sunday Star Times

O debate já começou, e as pequenas nações estarão com certeza fora dele. Pelo menos de forma determinante.

A vitória da África do Sul no Mundial de França abriu caminho à discussão - agora mais concreta e em rota acelerada para a sua aceitação - das 11 novas leis do jogo, baptizadas por Spiro Zavos como Leis de Stellenbosch.

Já o escrevi e repito: por muito menos aconteceu, há mais de 100 anos, uma enorme cisão no interior do Rugby. E embora não acredite que o Rugby corra o risco de nova cisão, a verdade é que a hipotética aplicação de algumas ideias contidas nas ELV's pode de facto acabar com o Rugby tal como o conhecemos.

Penso que não se deve olhar para as propostas das nações SANZAR com imediata desconfiança, apesar de acreditar que as alterações servirão muito mais o seu estilo de jogo e as características dos seus atletas. Mas também me parece que a Europa e a própria Argentina (reforçada no seu prestígio, após o brilhante 3º lugar conquistado) terão de tomar uma posição firme, não alinhando de forma pacífica com as intenções australianas, spingboks e kiwis.

O debate vai começar, e prometo acompanhá-lo por aqui.

Entretanto, sugiro que os leitores se informem acerca das ELV's.

sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

Uma final com grande significado

"I think the future of how rugby is played is hanging on the outcome of the final.

If England win with Wilkinson firing penalties and dropped goals whenever he is within range, then there will pressure from the blazers to reject the modernising of the game with the Stellenbosch Laws.

The Springboks at least try to score tries. A win by them will be an endorsement of the southern hemisphere style of playing rugby."


Spiro Zavos, "Rugby's future rests on final outcome"
19.10.2007 (The Dominion Post)


Segundo o colunista neozelandês Spiro Zavos, uma vitória dos Springboks no Mundial constituiria uma vitória daqueles que verdadeiramente gostam de Rugby. Pessoalmente penso que se trata de uma perspectiva bastante redutora e até manifestamente parcial, que visa não valorizar o estilo de jogo dos Boks (que nem sequer é espectacular) mas antes agredir o estilo de jogo inglês, baseado no poder do seu pack e no domínio que vem exercendo nas fases estáticas do jogo.

Numa coisa estou todavia de acordo com o escritor kiwi: de facto esta final definirá muita coisa relativamente ao futuro da modalidade. E é por isso que acredito que uma vitória de Inglaterra seria bastante mais importante para nós, portugueses.

Penso, desde logo, que será bastante mais interessante uma vitória do hemisfério norte do que novo triunfo do hemisfério sul. A conquista do título por parte dos ingleses, em 2003, foi a primeira pedra colocada no sapato dos colossos do sul desde há 30 anos, e uma vitória de uma das nações europeias nesta importante competição reforçaria a ideia de que o Rugby não é uma modalidade dos países “lá de baixo”. É importante, também para Portugal, que se perceba de uma vez por todas que os europeus não apenas inventaram a modalidade como são capazes de a disputar ao mais alto nível! O Rugby competitivo não é um exclusivo dos países SANZAR...

No fundo, a derrota do sul é já quase total... Recordo-me de ler na comunicação social neozelandesa, no final das duas primeiras jornadas da prova, que os quatro primeiros classificados seriam certamente as três nações SANZAR mais a orfã Argentina, que ninguém parece querer acolher nas competições regionais (Tri e VI Nations).

A derrota do Sul será ainda maior se a vitória da Inglaterra, através da imposição do seu jogo ao estilo Springbok, vier colocar de lado as suas pretensões para a alterações de algumas leis fundamentais do jogo, através da institucionalização e generalização das chamadas Leis de Stellenbosch, um conjunto de alterações às Leis da Rugby Union que, por si só, justificavam um “cisma” tão profundo como aquele que se verificou no século XIX entre o código Union e a Rugby League...

É que, Nova Zelândia à parte (ainda que não totalmente), australianos e sul-africanos veriam com bons olhos mudanças de fundo nas Leis do Jogo, como a possibilidade de utilização de mãos no ruck, a possibilidade de derrocada intencional e legal do maul dinâmico, a diminuição do número de faltas que justificam a marcação de penalidades, etc...


Créditos: http://newsimg.bbc.co.uk/

Nunca fui jogador de Rugby, e nunca o escondi. Mas já vi Rugby suficiente para compreender a filosofia e cultura do jogo, bem como para compreender aquilo que distingue o jogo Union do jogo League, tão ao gosto dos australianos. E considero que a implementação de algumas das Leis de Stellenbosch seria um golpe mortal no Rugby do Hemisfério Norte, por contrariarem o tipo de jogo praticado, por exemplo, por franceses e ingleses.

Os 80 minutos de amanhã são fundamentais para o futuro da modalidade, e uma vitória da África do Sul poderia motivar a abertura de uma verdadeira Caixa de Pandora, com consequências imprevisíveis para o futuro do Rugby mundial.

PS: Acredito ainda que uma vitória inglesa seria meio caminho andado para a manutenção do número de equipas na fase final do mundial de 2011, na Nova Zelândia.